[[legacy_image_240416]] O mercado de trabalho calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou uma importante conquista no fim do ano passado, quando a taxa de desemprego para o trimestre encerrado em novembro atingiu 8,1%. Esse patamar foi o mais baixo desde abril de 2015, consolidando seis períodos trimestrais seguidos de aumento. Os economistas já esperavam essa retomada, mas o que interessa é que esse dado permite começar este ano em um ritmo bem melhor do que há 12 meses, de 11,6%. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em números absolutos, eram 12,4 milhões de trabalhadores sem emprego em novembro de 2021 e 8,7 milhões em igual mês do ano passado. Essa queda absoluta de 3,7 milhões em um ano tem um efeito benéfico na renda das famílias, ampliando o consumo e o pagamento de dívidas – hoje, 77,9% dos brasileiros estão endividados e 28,9% são inadimplentes (não pagam as contas em dia), segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Assim, a entrada de recursos nos núcleos familiares gera crescimento econômico sustentável. Porém, as entrelinhas da pesquisa do IBGE mostram que o mercado de trabalho tem muito a melhorar. Sua recuperação ao longo do ano passado esteve atrelada ao aumento de empregos informais e apenas mais recentemente pela contratação com carteira assinada pelo comércio e indústria. Em um ano, o total de trabalhadores sem registro aumentou em 229 mil, mas proporcionalmente recuou 1,3 ponto percentual porque os formalizados cresceram mais rapidamente. Mas, como alertou a coordenadora da pesquisa do IBGE, Adriana Beringuy, a informalidade ainda é ”muito grande”, representando 38,9% do mercado. São 38,8 milhões de informais, exigindo um longo esforço de recuperação. Uma melhora (aumento da formalização e da renda) depende de um contexto econômico mais positivo, com queda dos juros básicos, hoje de 13,75% ao ano, que vão recuar apenas se a inflação for controlada. O plano do governo é injetar recursos para estimular a geração de empregos. Isso deve ser feito via obras públicas e reajustes do salário mínimo e dos benefícios sociais, o que levaria a um ciclo de crescimento por meio do consumo, aquecendo o mercado de trabalho. Muitos economistas estão céticos e veem essa interferência do governo na economia como um anabolizante de efeitos positivos de curto ou médio prazo. Com a injeção de verbas públicos na economia, o consumo voltaria a pressionar os preços em uma hora na qual a inflação não está domada, forçando o Banco Central a manter juros altos por mais tempo. Essas taxas elevadas pesariam na dívida pública, tirando fôlego do setor federal no longo prazo. Mas os otimistas acham que seria possível fazer ajustes graduais, entre uma correção e outra. Independentemente da estratégia, o equilíbrio fiscal é o melhor caminho, pois ele viabiliza investimento público.