A Baixada Santista não vive uma explosão demográfica. Os números mais recentes do IBGE mostram algo diferente e, talvez, mais importante para o planejamento da região: a população cresce de forma lenta e gradual, mas está mudando de endereço. Entre 2025 e 2026, a região ganhou 4.301 habitantes, passando de 1.867.558 para 1.871.859 moradores, avanço de apenas 0,23%. O dado geral, porém, esconde uma transformação relevante. Enquanto Santos, São Vicente, Cubatão e Guarujá perderam pouco menos de 400 moradores no total, os demais municípios cresceram. Praia Grande liderou com folga, ganhando 2.651 habitantes em apenas um ano e chegando a 371.190. Itanhaém incorporou outros 779 moradores; Bertioga, 505; Mongaguá, 476; e Peruíbe, 262. Ou seja: o crescimento se desloca do núcleo tradicional, formado principalmente por Santos e São Vicente, para outros pontos do território, especialmente de Praia Grande em direção ao Litoral Sul e também para Bertioga. Há razões econômicas evidentes para esse movimento. O preço da moradia nas cidades centrais empurra famílias para municípios onde ainda é possível encontrar imóveis e terrenos mais acessíveis. Mudar de residência, entretanto, não significa necessariamente mudar de emprego. Santos continua concentrando parcela importante das oportunidades de trabalho, dos serviços especializados, das universidades e das atividades econômicas da região, e é aí que o novo mapa populacional se transforma em enorme desafio de mobilidade. Se mais pessoas moram cada vez mais longe do local onde trabalham, a tendência é aumentar a pressão sobre os principais corredores viários e sobre um sistema de transporte coletivo que já enfrenta limitações. Não será possível responder a essa transformação apenas acrescentando ônibus ou ampliando vias para automóveis. Projetos como a expansão do VLT, as novas ligações previstas para o sistema e as discussões sobre conexões metropolitanas precisam avançar com velocidade e, sobretudo, integrar-se. A Baixada precisa pensar definitivamente como metrópole, já que as fronteiras municipais existem administrativamente, mas desaparecem todos os dias quando milhares de pessoas atravessam cidades para trabalhar, estudar ou acessar serviços. Transporte eficiente de massa deve, portanto, ser prioridade zero dos governos municipais e da governança regional, não só para reduzir o volume de veículos particulares no sistema viário, mas também o total de acidentes e mortes envolvendo, principalmente, os modais particulares. Os números do IBGE são um aviso antecipado, o crescimento ainda é pequeno e permite planejamento. Esperar que os deslocamentos se transformem em congestionamentos permanentes, viagens cada vez mais longas e perda de qualidade de vida para então agir seria repetir um erro conhecido das grandes metrópoles brasileiras, uma receita de insucesso que ainda é possível evitar.