[[legacy_image_54578]] A inflação divulgada na última quarta-feira veio pior do que o esperado, reacendendo o fantasma da alta de preços que ronda o País desde que ela foi controlada pelo Plano Real há 27 anos. Desta vez ela se mostrou forte logo após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, de 1,2% (sobre o quarto trimestre de 2020), acima do esperado, indicando que a economia se recupera da pandemia com bom fôlego. O reflexo imediato é que, na próxima quarta-feira, o Banco Central vai se reunir para definir a taxa Selic, que está a 3,50% e vai pelo menos pular para 4,25%. Falta definir se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de maio, divulgado na semana passada e que apontou 8,06% nos últimos 12 meses , fará o BC se tornar mais rigoroso, a ponto de puxar ainda mais a Selic. O que preocupa é que o discurso centrado na austeridade das contas federais nunca esteve tão diluído. Agora se fala muito em turbinar os benefícios sociais para conseguir reeleger o presidente Jair Bolsonaro. Algo muito preocupante, pois a reeleição de Dilma Rousseff é exemplo bem recente do que não deve ser feito com esse fim. A petista, durante seu primeiro mandato, segurou os reajustes das tarifas públicas e manteve os gastos federais em ritmo elevado, ocorrendo depois um tarifaço, a deterioração fiscal e todo o caos econômico e político em consequência. Já é esperado que os juros subam não só na próxima quarta-feira, mas também nas reuniões do BC do próximo semestre e talvez superem 6% ao ano. Mas há a corrente que acha que não será preciso promover aperto fiscal tão forte porque não há uma inflação provocada pela demanda, quando há aumento de renda, com um choque do consumo sobre a oferta. O motivo é bem óbvio – o desemprego atingiu proporções históricas, com quase 15 milhões de desocupados, enquanto outros tantos estão na informalidade ou com os ganhos reduzidos. Por trás da inflação, lembram esses economistas, estão programas de estímulos contra a covid-19, aqui e muito mais lá fora, que geram uma procura elevada por commodities alimentícias e minerais. Além disso, acredita-se que não haverá mais pressão do dólar, porque há uma entrada muito forte da moeda no Brasil pelo aumento das exportações e pelos especulares estrangeiros que entram no País para faturar com juros agora mais altos. Porém, o efeito da alta dos juros é sempre ruim. Mesmo que eles não se aproximem das alturas dos tempos de Dilma, por volta de 14%, a expectativa de subida das taxas tira recursos do consumo e do investimento. As linhas de crédito das empresas e da casa própria também ficam mais caras. Simultaneamente, aumenta o custo da dívida pública, o que anula a capacidade do governo de investir. Dessa forma, o Palácio do Planalto precisa ser mais contundente no controle das contas públicas e em programas pontuais para reanimar o PIB. Mas não é o que se vê agora.