[[legacy_image_214463]] Uma a uma, as moedas de grandes, médias e pequenas economias não conseguem resistir à força do dólar. Com a subida dos juros dos Estados Unidos, investidores do mundo todo se voltam aos títulos públicos americanos por estarem pagando mais. Como esses papéis são os mais seguros e agora rendem um pouco acima, 3,9% ao ano (vencimento em dez anos), não faz sentido correr risco com ativos de outros mercados mesmo que paguem melhor. Para efeito de comparação, o Tesouro Prefixado, do Brasil, para vencimento em 2033, garante 11,87%. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Basta comparar os dois países, considerando a estabilidade de suas economias, com crescimento do PIB e inflação, a política fiscal (gestão dos recursos públicos), histórico de corrupção, comportamento do Parlamento e tradição de suas instituições e pesar tudo numa balança para os próximos dez anos. Para um investidor institucional, como fundos de aposentadoria bilionários, mais conservadores, o ganho moderado nos EUA será mais sedutor. Com esse ímã do juro americano, o dólar vai junto. Além de ser a moeda mais procurada nas crises de confiança, como agora com a tensão geopolítica (Ucrânia x Rússia e ameaça nuclear, EUA x China, expansão da extrema direita na Europa), a divisa dos EUA fica no centro dessa migração de capitais. Para resumir, mais investidores buscam o dólar e seu preço sobe devido à demanda. Como consequência da força do dólar, em julho, pela primeira vez em 20 anos a moeda americana atingiu paridade com o euro (hoje a diferença é de 3% em favor do dólar). Na última quarta-feira, a divisa dos EUA subiu ao maior nível frente o iene, do Japão, em 32 anos. No caso do Brasil, o reflexo no câmbio é mais pela tensão política. O ingresso de moeda ainda é muito forte devido à exportação de commodities, mas a tendência do mercado mundial, de alta do dólar, dificulta a valorização do real. Pois é com o comércio exterior que o Brasil sente mais a força do dólar. A desvalorização da moeda local favorece a exportação e dificulta a importação, porém, tem um efeito indesejado sobre a inflação. O País importa trigo, fertilizantes, máquinas, tecnologia, petróleo e diesel e, nesse contexto, eles ficam mais caros. Mesmo o que não é importado, mas tem cotação externa, como carne, vai pelo mesmo caminho. A valorização do dólar ajuda o exportador, mas perturba o consumidor. Nem mesmo os americanos gostam disso, pois suas exportações perdem competitividade e os importados barateiam. Não é estranho que diretores do Federal Reserve, o banco central americano, avaliem reduzir o ritmo de alta dos juros para amenizar o impacto mundial. Os EUA estão inseridos em uma globalização muito mais que o Brasil e sentem a inflação não só em seu território – com todos aumentando seus juros, a recessão mundial será maior e mais duradoura. Mas é inegável que o câmbio fortalecido aumenta o poder político de barganha dos EUA.