[[legacy_image_359390]] O último Censo mostrou que as cidades pequenas e médias do Interior do País cresceram mais, reflexo do agronegócio, enquanto algumas capitais do Sul-Sudeste e Nordeste encolheram ou cresceram pouco. Alguns especialistas falaram em exaustão dos grandes centros, como trânsito insuportável e moradias precárias e distantes, que exigem longos deslocamentos. Há ainda desemprego ou ocupação informal. Nos últimos anos, esse quadro desfavorável contou ainda com o impacto da pandemia nos serviços, principalmente comércio e turismo, que tiveram perdas acentuadas e se recuperam aos poucos. A violência é um dos motivos para procurar outras partes do País, mas já se sabe que ela cresceu até em municípios de menor porte e também nas áreas rurais de forte desenvolvimento, onde agora há mais dinheiro. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Mais uma pesquisa indica as transformações que o agronegócio proporciona ao País. O Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas, em reportagem do Valor, levantou que a remuneração média dos trabalhadores rurais de todo o Brasil, de 2019 até o ano passado, acumulou alta real (descontada a inflação) de 11,3%, bem acima do 1,5% de todo o mercado de trabalho. Mesmo assim, os salários do agro são mais baixos, de R\$ 1.894,89 em 2023, enquanto o geral é de R\$ 2.902,18. Por outro lado, observando-se apenas o campo, há disparidades entre Centro-Oeste e Nordeste. A melhor média do profissional agropecuário é a de Goiás, de R\$ 3.533,00, e a pior, do Piauí, de R\$ 680,00, onde a soja já chegou mas, por enquanto, não causou grandes transformações. O estudo apontou que o crescimento do agronegócio não só mantêm a expansão dos salários, mas os torna mais resilientes às dificuldades da economia, que traz grande impacto às cidades. No campo, a informalidade caiu e há uma demanda por trabalhadores capacitados. Em Goiás, mesmo com os melhores salários do agronegócio, não há operadores de máquinas suficientes no mercado. O bom momento do agronegócio parece algo distante para os brasileiros dos grandes centros do Sudeste e Nordeste. Entretanto, esse fenômeno mostra a importância de investir em pesquisa, tecnologia e capacitação profissional. Essa transformação também indica que as metrópoles, ao mesmo tempo que devem aproveitar a estagnação para investir em melhorias, precisam se reinventar para manter sua atratividade econômica. O que, em tese, não é difícil, pois ainda têm renda média mais elevada, potencial que gera negócios para serviços. Sob aspecto nacional, o desenvolvimento agrário não é motivo para o País descuidar de outros setores, como a indústria, lembrando que neste caso o grande perdedor é São Paulo. O estado é o maior centro financeiro e educacional do País, assim como a principal economia, e essa liderança vai perdurar. Mas é preciso investir nas cidades, melhorar a qualidade de vida nas periferias e combater a violência.