Ampliação de redes, a modernização de sistemas e o aumento da capacidade de tratamento são medidas que podem produzir impactos diretos na qualidade de vida da região (Alexsander Ferraz/AT) A Baixada Santista convive há décadas com um paradoxo: ao mesmo tempo em que é uma das regiões mais importantes do Estado de São Paulo, com forte atividade portuária, turística e industrial, ainda enfrenta desafios históricos no saneamento básico. Por isso, os anúncios recentes da Sabesp para ampliar investimentos na região representam um passo necessário e relevante para mudar esse cenário. A universalização do acesso à água tratada e à coleta e ao tratamento de esgoto não é apenas uma meta administrativa. Trata-se de uma questão de saúde pública, preservação ambiental e desenvolvimento econômico. Nesse contexto, o compromisso assumido pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de antecipar em quatro anos as metas do Marco Legal do Saneamento, de 2033 para 2029, estabelece um horizonte mais ambicioso e, ao mesmo tempo, mais compatível com as necessidades da população. Os investimentos anunciados pela Sabesp apontam justamente nessa direção. A ampliação de redes, a modernização de sistemas e o aumento da capacidade de tratamento são medidas que podem produzir impactos diretos na qualidade de vida da região. Menos esgoto lançado nos rios e canais significa praias mais limpas, menos doenças e melhores condições para o turismo e para as atividades econômicas que dependem da qualidade ambiental da costa. No entanto, o avanço do saneamento na Baixada Santista exige enfrentar desafios que vão além da implantação de infraestrutura. Um dos mais complexos é a expansão da coleta de esgoto em áreas irregulares, como comunidades instaladas sobre palafitas. Nessas regiões, a ausência de planejamento urbano e as limitações físicas do território tornam as soluções técnicas mais difíceis e custosas. Ainda assim, ignorar esse problema não é uma opção. A estatal sinaliza com investimentos e obras também nessas regiões, mas é importante destacar a necessidade urgente de congelar essas áreas e urbanizá-las, tarefas das prefeituras. A melhoria do sistema de esgotamento sanitário depende não apenas da rede instalada, mas também do correto uso por parte da população. Ligações clandestinas ou inadequadas continuam sendo um obstáculo importante, comprometendo o funcionamento do sistema e gerando impactos ambientais. Por isso, a fiscalização municipal é peça-chave nesse processo. Sem a atuação firme das administrações locais, tanto na regularização urbana quanto na fiscalização das conexões de esgoto, os investimentos correm o risco de não produzir todos os resultados esperados. O momento é de convergência de esforços. Estado, concessionária e municípios precisam atuar de forma integrada para transformar os anúncios em resultados concretos. A antecipação das metas do Marco Legal do Saneamento representa uma oportunidade histórica para a Baixada Santista superar um passivo antigo. Mais do que cumprir prazos, trata-se de garantir dignidade, saúde e qualidade ambiental para milhões de moradores da região.