(Vanessa Rodrigues/ AT) Nos horários de pico, 5 mil veículos e 4 mil bicicletas por hora ingressam em Santos pelas duas divisas com São Vicente. Pelas balsas, são 6.600 veículos e 4.400 motos por dia e 2 mil bicicletas por hora. Os números de Santos são superlativos: quase 134 mil veículos de passeio licenciados no Município, 85 mil motocicletas, 12 mil caminhões, 1.900 ônibus, quase 10 mil utilitários e milhares de bicicletas convencionais e elétricas. Gerir o ir e vir de uma cidade com menos de 40 quilômetros quadrados em sua área insular e essa quantidade de veículos e pessoas desafia gestores públicos e estudiosos da mobilidade urbana. Como organismo vivo, a cidade nem de longe espelha a realidade de 10, 20 ou 30 anos atrás, quando inexistiam os quase 56 quilômetros de ciclovias e as facilidades trazidas por grandes obras, como a Avenida Perimetral. Comprar ou trocar de carro também era condição para poucos, tendo em vista que a oferta de crédito e a variedade de marcas e modelos eram limitadas. Esse cenário impõe uma reflexão que não pode mais se restringir aos limites administrativos do Município. A mobilidade urbana é uma tarefa compartilhada entre os entes da federação. Não é razoável esperar que apenas o poder local dê conta de desafios que extrapolam suas fronteiras físicas e financeiras. Um exemplo emblemático é a tão necessária segunda ligação com o Porto de Santos, demanda histórica que permanece sob responsabilidade da União e que, até hoje, não saiu do papel. Trata-se de uma obra estruturante, capaz de reorganizar fluxos, reduzir gargalos e melhorar significativamente a qualidade de vida urbana, e que precisa, definitivamente, avançar no âmbito do Governo Federal. Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que muitas soluções passam por uma lógica metropolitana. A Baixada Santista funciona como um sistema integrado, no qual deslocamentos diários cruzam municípios e exigem planejamento conjunto. Nesse sentido, ganha relevância o Plano Metropolitano de Mobilidade Urbana e Sustentabilidade, concluído em 2022 com a participação de todas as cidades da região. Resgatar seus principais eixos, tirando-os do papel e transformando-os em ações concretas, é passo fundamental. Ao poder municipal, cabe manter o tema como prioridade, promover os ajustes locais necessários, estimular o uso do transporte público por meio de melhorias constantes, regularidade do sistema e integração dos modais, e promover campanhas permanentes sobre o que cabe a cada um dos cidadãos para melhorar o ir e vir de uma cidade-polo como Santos. Esse debate se insere em um contexto mais amplo quando Santos se aproxima dos 500 anos, marco que será alcançado em duas décadas, e que exige planejamento estratégico desde já. Pensar mobilidade é, nesse horizonte, pensar desenvolvimento, sustentabilidade e qualidade de vida. A cidade do futuro não se constrói de forma isolada. Exige cooperação, visão integrada e compromisso contínuo de todos.