[[legacy_image_295350]] Santos, Cubatão e Guarujá, entre demais cidades da região, almejam receber zonas de Processamento de Exportação (ZPEs), áreas de livre-comércio para produzir bens ao mercado internacional. Não se trata de tarefa fácil, até pela incrível concorrência em razão do rearranjo geopolítico decorrente da guerra da Ucrânia e da rivalidade China-Estados Unidos. Também há outras dificuldades, em especial a baixa competitividade da indústria nacional perante os preços baixíssimos dos asiáticos. De qualquer forma, os municípios da Baixada Santista podem e devem se esforçar para se tornarem ZPEs, desenvolvendo parcerias e aprendendo com as duas já em funcionamento, em Pecém (CE) e Parnaíba (PI), além da recém-criada em Aracruz (ES). A Baixada deve se vender como potencial ZPE por sua vantagem logística, com o Porto de Santos, conectado-a a regiões fornecedoras de matérias-primas. Porém, é preciso reconhecer que de tempos em tempos a região ambiciona alternativas de desenvolvimento que não deslancham, como polo tecnológico ou base operacional do petróleo. Além disso, o Estado não tem tradição de oferecer vantagens para atrair investimentos, tal como Pernambuco e Espírito Santo, no caso de estaleiros para o pré-sal (no fim das contas, hoje quem fornece nessa área ao País são os chineses). Bahia, Goiás e Minas Gerais também fazem um jogo pesado para tirar indústrias de São Paulo, não só com redução de ICMS (que talvez fique sem sentido com a reforma tributária), mas também com oferta de terrenos, financiamento e, paralelamente, salários mais baixos, o que faz a diferença quando a iniciativa exige muita mão de obra. As ZPEs são outro nível de desenvolvimento econômico, mas é certo que as cidades candidatas precisam ter uma estratégia bem delineada para ir atrás dos potenciais investidores e seduzi-los. Não se deve acomodar apenas com a disponibilidade de espaços, como a Área Continental de Santos, o Polo de Cubatão ou o Complexo Industrial e Naval de Guarujá (Cing), ou por ter um eficiente Porto inserido em suas economias. É preciso convencer o Governo Federal e o setor privado, que depende muito de linhas de fomento, como as do BNDES. Por isso, uma afinidade com Brasília é fundamental. Entretanto, as prefeituras precisam pressionar o Governo do Estado para apoiá-las, pois a competição com os grupos econômicos das outras partes do País é brutal. Por fim, exportar significa enfrentar as economias asiáticas. Deve-se lembrar que na nova ordem mundial, as potências buscam fornecedores de países “confiáveis”, que não sofram sanções do Ocidente na próxima confusão geopolítica, tal como o México, que receberá indústrias que antes se instalariam na China. Essa estratégia é mais do lado do Governo Federal, mas é bom a região compreender que não basta ser ZPE. É necessário dispor das condições mercadológi-cas para atrair exportadores e competir mundialmente.