(Vanessa Rodrigues/AT) Reportagem publicada nesta sexta-feira (11) em A Tribuna, feita pelo jornalista Rafael Motta, mostra a evolução do índice de abstenções na cidade de Santos nos últimos 20 anos. Nas eleições municipais de 2004, 6,98% dos eleitores não foram às urnas votar para prefeito e vereadores, saltando para 13,64% em 2008 e, em uma curva ascendente a cada quatro anos, esse total chegou a 29,26% no último domingo, ou o equivalente a três eleitores em cada grupo de dez. O mesmo comportamento se observou nas eleições gerais, para deputados, senador, governador e presidente. Em 2006, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 17,1% dos eleitores não compareceram às urnas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Quatro anos mais tarde, o índice saltou para 18,3% e, em uma curva de crescimento, as abstenções foram de impactantes 24,7% há dois anos, ou seja, um em cada quatro eleitores não votou. Os índices, tanto para eleições municipais como gerais, são maiores que os observados no Brasil. O cruzamento desses dados com a curva demográfica de Santos pode encontrar parte da explicação, na medida em que a população idosa, em Santos, também evoluiu bem acima da média. No censo do IBGE de 2000, os maiores de 60 anos correspondiam a 14% da população, percentual que cresceu ano após a ano, alcançando o índice de 22% em 2022. Na contramão desses números, o contingente jovem caiu, nesse mesmo intervalo de tempo, de 21% para 14%. Colocadas em gráfico, as duas tendências mostram a mudança radical do perfil etário da cidade de Santos, que pode ter implicações diversas, inclusive em anos eleitorais. Essa eventual justificativa, porém, não subtrai da análise das abstenções uma compreensão mais apurada do que pode estar ocorrendo com o eleitor santista. Estar mais velho, desobrigado do voto, não deveria significar, necessariamente, a ausência às urnas, posto que os mais velhos, hoje, mantêm suas atividades e rotinas ativas muito mais que décadas atrás. É preciso apurar os motivos pelos quais o desinteresse pela escolha de seus representantes está crescendo.</CW> O desencanto com a política, a acirrada polarização, a intensidade das redes sociais que tudo exploram e tudo intensificam e o distanciamento dos discursos dos candidatos da realidade da cidade podem ser fatores que ajudem a explicar essa ausência. O ‘tanto faz esse como aquele’, porém, pode representar a vitória do candidato menos preparado ou daquele que, com verba e bons profissionais do marketing político, soube explorar melhor sua imagem na campanha. Participar do processo eleitoral é fundamental na construção da democracia, um ato de cidadania a que nem todos os países têm direito. Cabe aos candidatos e também aos que já ocupam cargos eletivos melhorar o desempenho de forma convincente e bem fundamentada. Essa lição de casa significará não só a redução da abstenção, mas uma escolha mais legítima, que realmente signifique a vontade da maioria da população.