(Marcelo Camargo/Agência Brasil) A recente aprovação de uma lei em Bertioga para enfrentar o absenteísmo em consultas médicas na rede pública chama atenção para um problema silencioso, mas extremamente prejudicial à gestão da saúde. A medida busca combater a prática, infelizmente comum, de pacientes que agendam consultas ou exames e simplesmente não comparecem, muitas vezes sem qualquer aviso prévio. Embora possa parecer um episódio isolado ou de menor importância, situações assim têm consequências amplas. Cada ausência representa um horário perdido que dificilmente é preenchido a tempo. Na prática, significa consultório vazio, profissional disponível e uma vaga que poderia ter sido ocupada por alguém que aguarda atendimento. Em sistemas públicos já pressionados pela demanda, o impacto é significativo. Os prejuízos são múltiplos. Há, evidentemente, o desperdício de dinheiro público. A estrutura da saúde, como profissionais, equipamentos, insumos e funcionamento das unidades, está mobilizada para atender. Quando a consulta não ocorre, todo esse investimento deixa de cumprir sua finalidade. Mais grave ainda é o efeito sobre as filas de espera. Quem precisa de atendimento segue aguardando por semanas ou meses, enquanto horários previamente reservados são desperdiçados. Em diversas cidades brasileiras, os índices de absenteísmo chegam a patamares preocupantes. Em Santos, por exemplo, o mutirão de ultrassonografia realizado no ano passado registrou um índice de faltas superior a 40%. É importante reconhecer que as razões para essas ausências são variadas. Em muitos casos, trata-se simplesmente de esquecimento. Em outros, o paciente melhora e decide não comparecer, ou enfrenta dificuldades de transporte, mudanças na rotina de trabalho ou incompatibilidade de horários. Também existem situações em que a comunicação falha: datas mal informadas, mudanças de telefone ou falta de confirmação do agendamento. Enfrentar o problema exige equilíbrio. Há situações em que a responsabilização do cidadão é necessária. Quem agenda um atendimento em um sistema público precisa compreender que está ocupando um espaço que poderia ser de outra pessoa. Também é fundamental que o poder público investigue as causas e corrija eventuais falhas operacionais. Nesse cenário, a tecnologia surge como uma aliada importante. Sistemas de confirmação por mensagem, aplicativos de agendamento, lembretes automáticos e canais fáceis para cancelamento podem reduzir significativamente as faltas. Muitas experiências mostram que simples avisos enviados no dia anterior já são capazes de diminuir o problema. Reduzir o absenteísmo é uma forma direta de melhorar a eficiência do sistema de saúde sem necessariamente aumentar gastos. Em um serviço público tão essencial quanto a saúde, cada consulta conta. E cada vaga perdida representa não apenas desperdício, mas também um atraso desnecessário para quem mais precisa.