Imagem ilustrativa (Reprodução/Fox News) A afirmação do secretário do Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, de que o Brasil precisa ser “consertado”, chamou a atenção pelo tom de superioridade, mas sinalizou um foco que interessa aos brasileiros: o de que as conversas daqui para frente podem ser mais econômicas do que ideológicas. A cobrança dos EUA é pela abertura de mercados, com o país se queixando de tarifas que paga a seus parceiros e respondendo na mesma moeda, com mais protecionismo. O problema é que o Brasil é uma das exceções, nas grandes economias, com déficit com os americanos, o que dificulta ao Governo Lula fazer concessões à Casa Branca. Na mesa de negociações, é possível que os representantes dos EUA ofereçam retirar as sanções às autoridades do Brasil em troca de revisar tarifas sobre o Brasil, com café ou suco de laranja. Porém, será preciso superar a influência bolsonarista nos bastidores da Casa Branca. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A ideia de Lutnick de “consertar” o Brasil também tem relação com a política requentada do Governo Trump de reivindicar a América Latina como quintal dos EUA. Em relação ao Brasil, os EUA continuam como principal investidor devido às multinacionais e à conexão de seus mercados financeiros. Porém, o Brasil é o melhor exemplo latino-americano da “invasão chinesa”, que exporta manufaturados e compra alimentos, minérios e petróleo. Além disso, a China tem feito aportes impressionantes na infraestrutura, por exemplo, na construção de ponte na Bahia, na expansão férrea no Estado e indiretamente com participação societária na empresa portuguesa Mota-Engil, vencedora da licitação do túnel Santos-Guarujá. Para o Brasil, o melhor caminho é manter sua neutralidade diplomática, ainda que cada governo costume ter suas preferências ideológicas, sem interferir nas relações comerciais. Os EUA, entretanto, por sua posição mais à direita, buscam um fortalecimento nessa nova ordem mundial. No começo do mês, o presidente Donald Trump lamentou que “perdemos” a Índia e a Rússia para a China. A Índia, na verdade, é uma rival dos chineses, e tentava se equilibrar na geopolítica, mantendo relações com todos os polos de poder. Porém, na guerra tarifária, se aproximou por conveniência de Pequim. Para o Brasil, quanto mais as negociações se afastarem da ideologia, mantendo bloqueadas qualquer iniciativa de interferência interna na política do País, maiores serão os resultados econômicos. O governo americano busca acesso às terras raras abundantes do Brasil, mas quase inexploradas, quer evitar taxações das big techs e reduzir as tarifas sobre o etanol de milho. Do lado brasileiro, o esforço é não apenas reverter as sobretaxas que castigam o agronegócio, mas, muito importante para o Estado, revisar a imposição de Trump sobre a indústria. Trata-se de um setor que o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, que tem feito um bom trabalho, conhece bem e tem todas as condições de defender.