[[legacy_image_289204]] Divulgada na 10ª edição do Summit da Construção Civil, evento do Grupo Tribuna realizado na segunda-feira, a pesquisa da Brain Estratégia Imobiliária indicou que a intenção dos brasileiros de comprar imóveis nos próximos dois anos subiu para 37%. No auge da pandemia, essa disposição era de 20%, quando a fase de restrições da covid-19 ao convívio social já estimulava o desejo por uma moradia mais espaçosa. Depois veio a incerteza, com crise econômica, desemprego, inflação e subida dos juros. Agora, com a Selic no sentido contrário e uma melhora gradual dos indicadores, o potencial comprador volta a olhar para o mercado, que depende de uma série de fatores para deslanchar. Entretanto, os governos precisam fazer sua parte com medidas, desde a redução da burocracia pelos municípios ao incentivo federal ao financiamento, tanto para a baixa renda como para a classe média. Com essas iniciativas, estimula-se a economia, gerando emprego por meio da necessidade intensiva das construtoras por mão de obra, e com os recursos sendo injetados na indústria de insumos do setor, no segmento de comércio de materiais e na compra e venda pelas imobiliárias. Portanto, destravar a compra da casa própria significa acelerar o processo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB), cuja previsão é de avanço de 2,3% neste ano, ainda muito pouco, mas pelo menos positivo e com potencial para partir para taxas mais altas daqui para frente. Uma das questões fundamentais a serem resolvidas é o funding, a fonte de recursos dos financiamentos, hoje concentrada na caderneta de poupança e no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que podem não dar conta da demanda do mercado. Enquanto a primeira sofre saques devido a poupadores com o bolso apertado ou pelo baixo rendimento, a segunda poderá ter problemas se o registro em carteira perder força mediante a informalidade e outras formas de ocupação (MEI ou PJ, pessoa jurídica) ou mesmo se a oferta de emprego continuar fraca. Essas duas fontes precisam ser estimuladas porque, por pagarem baixa remuneração, garantem juros mais em conta ao crédito habitacional. O mercado habitacional, desconsiderando o segmento de médio e alto padrão, está centrado no programa Minha Casa, Minha Vida, muito limitado por depender de recursos da União para bancar subsídios da baixa renda. Porém, seu volume já é suficiente para mover uma parte importante da construção que gera emprego e consumo. Há ainda as linhas da Caixa, que dependem do humor do mercado. As taxas, segundo fontes, estão ao redor de 11% ao ano, mas se a Selic recuar mais, poderão cair bem abaixo disso, entre 6% e 8%, com prestações atraentes. Portanto, se os fatores macroeconômicos (inflação, juros e emprego) continuarem se ajustando de forma sustentável, sem sacrifício das contas públicas, o setor da construção terá uma boa fase pela frente.