[[legacy_image_329867]] Na última terça-feira, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou sua estimativa para a alta da conta de luz neste ano: 5,6%, em média. O índice supera a projeção do mercado financeiro para a inflação, de 3,86%, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Além de subsídios (benefícios que acabam sendo bancados por todos), entre os motivos da subida acima do IPCA estão os custos dos investimentos na transmissão – sistema que leva a energia gerada pelas diversas fontes, como hidrelétrica, térmica e renováveis, até o consumidor (a entrega é feita pelas distribuidoras, que emitem a conta final). No fim do século passado, 90% da energia usados no País eram gerados por hidrelétricas, uma fonte limpa (mas no caso das usinas com reservatórios, há alagamento de florestas) que deixava o Brasil em situação confortável em relação às nações dependentes do carvão, muito mais poluente, do diesel e da usina nuclear. Como o regime de chuvas se tornou instável e houve racionamento em 2001, o governo passou a investir em térmicas por questão de segurança energética, mas a um custo maior. Portanto, a tendência atual de multiplicação das fontes de energia, como eólica (vento) e solar, trouxe mais segurança ainda, anulando o impacto ambiental tanto nas florestas como na atmosfera. Porém, uma análise da Kinea, gestora de fundos associada ao Itaú Unibanco, mostra que essa transição para fontes limpas não é tão simples, tem custos, riscos e, consequentemente, exige regulação e gestão cuidadosa e de alta eficiência por parte do governo, da Aneel e das empresas. Hoje, as hidrelétricas têm participação de 49% da geração e as renováveis já atingiram 29% (de quase zero em 2012). Mas as fontes limpas causaram uma oscilação forte nos preços, caindo por volta do meio-dia, quando há muita luz solar e ventos, e encarecendo rapidamente quando se aproxima o pôr do sol (o consumo aumenta bastante). Por isso, a regulação se torna importante tanto para remunerar corretamente as empresas de geração, como para exigir oferta nos momentos de queda do preço da energia, mas se espera que o consumidor não seja penalizado com eventuais disparadas de preços do setor. Entretanto, o segmento energético tem avançado rapidamente não só pelas novas tecnologias, mas pelo apetite do setor privado. Contudo, preocupa o fato do governo não se conformar com a privatização da Eletrobras, dona de 20% da geração no País, com risco de insegurança jurídica ou interferência estatal profunda. Estatísticas recentes indicam que ainda há milhares de famílias sem energia em regiões que não se desenvolvem por falta de luz. A vantagem do País é ter uma diversificação de fontes por suas condições naturais e dimensões geográficas, mas a gestão é fundamental, estimulando a competição e garantindo abastecimento também para os rincões esquecidos do Brasil.