(Christian Braga/Greenpeace) A proposta do Brasil para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, a ser apresentada na COP 29 no Azerbaijão, representa um passo estratégico e necessário no compromisso global de combate às mudanças climáticas. A 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP29) tem início hoje, em Baku, capital do Azerbaijão, e segue até dia 22. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O principal foco deste encontro será a negociação de novas metas coletivas de financiamento climático, visando apoiar países em desenvolvimento na implementação de ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Além disso, a COP29 buscará acelerar a transição energética global, promovendo a redução do uso de combustíveis fósseis e o aumento da participação de energias renováveis na matriz energética mundial. A meta do Brasil é ambiciosa, mas condizente com as responsabilidades assumidas no Acordo de Paris, quando se comprometeu a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025 e em 43% até 2030, em relação aos níveis de 2005. Dado que o desmatamento é a principal fonte de emissões desses gases, especialmente na Amazônia, a proposta foca em ações urgentes para conter a perda de florestas e fortalecer práticas sustentáveis. O desmatamento, sobretudo na Amazônia, representa quase metade das emissões, decorrentes da liberação de dióxido de carbono (CO2) acumulado nas árvores que são cortadas ou queimadas. Este fator coloca o país em uma posição singular: a preservação e recuperação das florestas têm potencial para gerar uma redução significativa nas emissões. Assim, imprescindível que o governo intensifique ações de monitoramento e fiscalização ambiental, adotando políticas públicas para o combate ao desmatamento ilegal, com reforço na presença de órgãos fiscalizadores em áreas críticas. Paralelamente, a proposta do Brasil para a COP 29 também reforça a necessidade de diversificar a matriz energética nacional, ampliando o uso de fontes renováveis e limpas, como a solar, eólica e a biomassa. O Brasil já possui uma matriz energética relativamente limpa, com cerca de 45% proveniente de fontes renováveis, um índice bem superior à média mundial. Entretanto, a expansão dessas fontes é essencial para diminuir a dependência de combustíveis fósseis e para suprir o aumento da demanda energética de forma sustentável. Essencial que as ações e compromissos do governo brasileiro sejam amplamente divulgados e que a sociedade compreenda seu papel no processo. Informar e conscientizar a população sobre a importância dessas ações são etapas fundamentais para o sucesso do plano. Esse trabalho começa na educação, nas escolas e universidades, com a introdução de temas como mudanças climáticas, sustentabilidade e o papel de cada cidadão no combate ao aquecimento global. Isso é crucial para formar uma sociedade consciente e participativa.