As rajadas de vento superiores a 100 Km/h na região não foram um fenômeno isolado. Cidades do noroeste do Rio Grande do Sul sofreram danos severos com a passagem de um tornado na terça-feira, assim como ventos de 90 km/h atingiram o norte de Santa Catarina e de 80 Km/h chegaram ao Paraná. No Estado de São Paulo, ocorreram três mortes, duas delas provocadas pelas quedas de árvores – uma em Santos e a outra em Cesário Lange, próximo a Sorocaba. O terceiro caso se deu durante naufrágio entre Ilhabela e São Sebastião. Em Angra dos Reis (RJ), um pescador está desaparecido. No Rio de Janeiro, com ventania de 105 Km/h, foram registrados dois óbitos, Nas praias paulistas e do Rio, banhistas saíram às pressas. Muros despencaram, como no caso da Rua Aguiar de Andrade, em Santos, uma imagem impressionante destacada pelas TVs e capas dos jornais. Em várias cidades, houve apagões e o transporte público foi interrompido, assim como as operações no Porto de Santos e nos aeroportos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em meio a transtornos em série, deve-se lembrar que a previsão do tempo já avisara sobre ventos fortes, apesar da intensidade ter superado a expectativa. De qualquer forma, a experiência recente indica que é preciso haver protocolos de orientação à população mais incisivos, se necessário, avisando que se deve alterar planos, como não passar uma tarde na praia, interromper atividades de risco nos edifícios ou até suspender turnos de trabalho ou aulas. É fundamental haver uma conscientização e saber se proteger se for surpreendido. O Brasil não é, como se diz, um país abençoado por não sofrer catástrofes naturais. Não há terremotos poderosos e tufões, mas os tornados se tornaram comuns na Região Sul e as enchentes e os deslizamentos de encostas se repetem quase todo ano nas metrópoles e cidades médias em quase todo o País. Há uma discussão paralela sobre o aquecimento do planeta e fenômenos que ele causa, que negacionistas questionam. O que se deve entender é que o padrão climático foi alterado, com registros mais intensos e em maior número. Por exemplo, o El Niño, que é o aumento da temperatura das águas equatoriais do Pacífico, é verificado há tempos, mas agora está retornando mais vezes. Desta vez, se espera um El Niño de grandes proporções, causando chuvas no Sul e seca no Norte e Nordeste. O Governo Lula anunciou na última quarta um reforço orçamentário de R\$ 1,3 bilhão para aumentar os estoques de milho e arroz, preparar barragens e diques e arregimentar brigadistas e equipamentos contra incêndios florestais. Prefeituras, governos estaduais e empresas também têm discutido medidas. Também é possível que o pior não se confirme, com o risco de oportunistas criticarem a prevenção. Mesmo que até venha um El Niño moderado, a ventania desta semana pelo Sul e Sudeste mostra que extremos climáticos de várias modalidades deverão ocorrer, exigindo preparação dos setores públicos e da própria sociedade.