Em janeiro, a Casa Branca publicou uma foto na rede social X mostrando brasileiros embarcando algemados com a frase: "Tal como prometeu, o presidente Trump está a enviar uma mensagem forte ao mundo: aqueles que entrarem ilegalmente nos Estados Unidos enfrentarão graves consequências" (The White House/Rede social X) Desde 2021 até o ano passado, os Estados Unidos deportaram 7 mil brasileiros, número irrisório se comparado aos 191 mil mexicanos enviados de volta pelo governo americano em igual período. Em ranking elaborado pelo jornal Valor, destacam-se Guatemala, Honduras e El Salvador, que somaram 206 mil deportados. A diferença entre esses três últimos países com Brasil e México é que os totais de suas populações são muito menores. Portanto, a política imigratória do presidente americano Donald Trump, que promete expulsar milhões de ilegais, terá duro impacto na América Central, marcada pela falta de emprego e muita violência urbana e política. A expectativa é de empobrecimento local, pois as remessas dos imigrantes a seus parentes na América Central são a principal fonte de ingresso de dólares, o equivalente a 30% em média do Produto Interno Bruto (PIB). Dessa forma, os governos centro-americanos não terão como barganhar com a Casa Branca com uma política tão agressiva. Pelo contrário, estarão subordinados às exigências de Trump. Nos anos 1980, algumas regiões do Brasil, principalmente a de Governador Valadares (MG), passaram por ondas emigratórias, o que voltou a ocorrer de forma mais disseminada pelo País nos últimos anos. Inclusive, pesquisadores acham que a desaceleração do crescimento da população brasileira, registrada pelo último censo, tem a ver com mais jovens trocando o Brasil pelos EUA, Portugal e Austrália, entre outros destinos. Mas esse fenômeno não se assemelha ao verificado no México e América Central. De qualquer forma, com base no acordo de deportação do Brasil com os EUA, que já tem alguns anos, hoje há pelo menos 38 mil brasileiros na fila para serem mandados de volta, sem direito a recurso. A questão é se essa repatriação forçada se dará rapidamente ou de forma mitigada. Também se espera forte impacto da política de Trump nos próprios EUA. Além do gasto administrativo para deportar no ritmo que o presidente deseja, será preciso preparar infraestrutura com mais agentes para abrir processos e adaptar instalações para prisões, além do esforço para despachar aviões para vários países ao mesmo tempo. Mas o principal efeito deverá se dar no mercado de trabalho, pois os imigrantes ocupam postos sem qualificação ou de baixa formação que os americanos em geral não almejam. Isso poderá levar à inflação dos salários, pesando nos custos das empresas e das famílias. No caso do Brasil, ainda que em escala muito menor, o governo terá que investir em um sistema para recepcionar os deportados. O ideal seria o País voltar a gerar oportunidades para os diferentes níveis de formação educacional e profissional. Segundo especialistas, a onda emigratória dos anos 1980 era basicamente de trabalhadores de baixa capacitação, enquanto a atual é de uma população melhor formada, inclusive com curso superior, o que significa uma evasão de recursos públicos.