(Carlos Nogueira/AT) O desfile das escolas de samba em Santos na sexta-feira e sábado passados, os megablocos de São Paulo e o começo do Carnaval em todo o País, principalmente no Rio de Janeiro, Salvador e Recife, mostram que a festa mais popular do País continua forte e enraizada na cultura nacional. Além disso, ela se tornou um grande negócio, movimentando R\$ 18,3 bilhões e gerando pelo menos centenas de milhares de empregos temporários apenas nessas quatro capitais, conforme reportagens do portal g1 e do Infomoney. Boa parte da economia que sustenta o Carnaval é informal e várias categorias conseguem uma renda extra nessa época, de músicos a ambulantes. Por isso, os números da festa devem ser muito maiores se forem computadas as cidades espalhadas pelo País que, em maior ou menor escala, mantêm essa celebração viva. Em Santos, a manutenção do Carnaval desde 2006 na Avenida Afonso Schmidt, com melhores instalações na Passarela do Samba Dráuzio da Cruz, a transmissão da TV Tribuna nos últimos quatro anos e a antecipação dos desfiles em uma semana, que ocorre desde 2016, permitiram às agremiações ter mais previsibilidade para investir em suas infraestruturas e em suas apresentações, mantendo na região pessoal técnico e sambistas, sem competir com o desfile da Capital, cujo Grupo Especial começa a se exibir hoje. Já a Baixada Santista precisa aproveitar muito mais a grande quantidade de turistas na região nesse período, oferecendo mais atrações. No caso de São Paulo, além da grandiosidade de seu desfile de escolas de samba, os blocos se tornaram o grande motor do Carnaval, com os megablocos e bloquinhos realizados às centenas. Porém, por falta de organização e excesso de público, de mais de 1 milhão de participantes, houve tumulto e empurra-empurra na Rua da Consolação, no último domingo, que por sorte não se tornou uma tragédia, ameaçando as próximas edições. Nas últimas décadas, notava-se que o Carnaval gradualmente perdia sua magia em partes do País, concentrando-se nas capitais onde a festa é associada ao turismo de maior valor agregado. Porém, os blocos trouxeram o público de volta às ruas de grandes cidades que eram esvaziadas nessa época do ano, como Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Campinas e Brasília. São Paulo retomou esse costume e se tornou seu maior exemplo de sucesso, com o Rio de Janeiro também ampliando a quantidade e o tamanho de seus blocos. Muitos desses blocos são organizados espontaneamente e outros se tornaram máquinas de gerar receita para o setor privado, ocupando hotéis, bares e restaurantes. Os conflitos também ocorrem, como o incômodo aos moradores da vizinhança, sujeira, briga e risco de roubos. Porém, com uma melhor coordenação das prefeituras com as polícias, e regras para disciplinar os organizadores e os patrocinadores desses desfiles, o Carnaval poderá ser preservado não apenas como uma festa para faturar, mas para divertir toda a população.