Metas climáticas não são apenas do e para o governo, mas precisam ser um compromisso de toda a sociedade (Fabio Rodrigues-Pozzeboim/Agência Brasil) O Brasil será o palco da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), marcada para novembro de 2025 em Belém, no Pará. Como pioneiro nos debates ambientais globais, o país terá a oportunidade de sediar o evento pela primeira vez na Amazônia, um bioma crucial para o enfrentamento da crise climática. A COP 30 reunirá líderes mundiais em busca de soluções para o aquecimento global e alternativas sustentáveis, e o evento pode fortalecer ainda mais o protagonismo brasileiro na agenda ambiental. A expectativa é de que mais de 40 mil pessoas participem da conferência, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas, o que pode deixar um impacto positivo tanto para o Brasil quanto para a preservação da Amazônia. Em meio aos preparativos para um dos eventos mundiais mais relevantes no debate sobre descarbonização, o Brasil vem enfrentando, nos últimos meses, um dos piores cenários climáticos, com as queimadas se espalhando por mais de 20 estados, e uma seca histórica que atinge áreas em mais da metade dos estados. Na última quinta-feira, o ar de sete capitais era considerado impróprio para a saúde. Além disso, o número de cidades paulistas com focos de incêndio quadruplicou em três dias, levando fumaça e problemas respiratórios a populações historicamente nunca atingidas pelo problema. Na Amazônia Legal, nove em cada dez terras indígenas foram atingidas pela seca. O Amazonas, que receberá a COP 30 em 2025, é o estado da Amazônia Legal com o maior número de terras indígenas em situação de seca (146), seguido do Mato Grosso (68) e Pará (55). Em meio a esse cenário de descontrole, o Brasil tem importante tarefa a cumprir até fevereiro de 2025: apresentar novas metas de corte de emissões de gases de efeito estufa (GEE), com compromissos para 2035. Hoje, a meta climática do Brasil é emitir no máximo 1,3 bilhão de toneladas de GEE em 2025. Em documento enviado no ano passado à ONU, o governo Lula destacou que até o final da década não haveria mais qualquer desmatamento no País. O desmatamento responde por metade das emissões brasileiras, seguido das atividades agropecuárias, que representam 27% do total. O maior embate do governo Lula na intenção de ampliar as metas de redução é com os empresários do agronegócio, que acompanham os prejuízos causados pela seca, mas temem um aperto de regras em suas atividades maior do que estão preparados para enfrentar. Além disso, o setor critica a falta de controle do governo no combate ao desmatamento ilegal e às queimadas, temendo que essa conta recaia apenas sobre seus negócios. Não é uma equação simples de solucionar, mas fato é que manter o protagonismo ambiental que construiu lá fora exigirá do Brasil ações enérgicas contra as ilegalidades, investimento em fiscalização e monitoramento e o apoio incontestável do empresariado.