(Reprodução) A crise da deportação de imigrantes tornou a Colômbia a primeira vítima do arsenal de tarifas do presidente americano Donald Trump, que depois reverteu a medida. Isso após o governo de Gustavo Petro aceitar receber de volta os colombianos considerados ilegais pelos EUA. Por outro lado, essa briga confirmou a expectativa de que a sobretaxa de importações de Trump será usada por motivos não econômicos. Aliás, o caso EUA-Colômbia foi consequência da chegada de brasileiros algemados a Manaus (AM), no domingo, reclamando de maus-tratos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se irritou e determinou que a viagem continuasse até Belo Horizonte sem mãos atadas. Por enquanto, não houve suspensão dos próximos vos dos EUA ao Brasil, mas se Lula tivesse agido com a mesma intensidade de Petro, o Brasil teria sofrido punições. O conflito entre Petro e Trump reflete os tempos atuais, de pouca conversa e muita fanfarronice e grosseria nas redes sociais. Os presidentes e primeiros-ministros hoje se pronunciam por meio de seus perfis. Os menos digitalizados obviamente têm equipe formal para isso. Mas para líderes, geralmente da extrema direita, essas contas são o principal instrumento de fazer política. Esse fenômeno faz com que muitos governos, devido à resposta imediata das redes sociais, invistam em frases de efeito ou medidas de alto impacto, mirando viralizações com o eleitorado. Porém, isso pode trazer danos econômicos ou diplomáticos e efeitos indesejados no médio prazo. Na crise das deportações, no Brasil, houve uma conversa cuidadosa entre a Polícia Federal, ao notar o uso de algemas em Manaus, até a consulta a Lula sobre o que fazer. Antes, a PF falou com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e o Itamaraty deve ter sido consultado. O governo brasileiro optou por fazer uma reclamação diplomática junto aos EUA, ainda sem receber uma resposta ameaçadora da Casa Branca. Deve-se considerar ainda que a Colômbia é vulnerável aos EUA. O país depende das remessas de seus emigrados para familiares no país de origem, fenômeno que é ainda mais acentuado na América Central. Esse envio pesa mais para a economia colombiana do que as exportações de café, concorrente implacável do Brasil há décadas. O Brasil também sofreria com as tarifas, mas suas exportações e parceiros são mais diversificados, vendendo petróleo e café brutos, semiacabados de ferro e aço e aeronaves aos EUA. Além disso, o Brasil tem mais comércio com a China, expandiu negócios com a Rússia e busca destravar as trocas com duas das economias que mais crescem na Ásia – Indonésia e Índia. Porém, o Governo Lula enfrentaria muitos ataques nas redes sociais, considerando o baque registrado pelo Palácio do Planalto no caso do Pix. O melhor para o País é manter o costume “ultrapassado” de investir na diplomacia para resolver crises midiáticas, evitando a polêmica e o bate-boca entre chefes de estado nas redes sociais.