[[legacy_image_255870]] Com uma agenda que começa neste final de semana e vai até a próxima sexta-feira (31), a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China poderá mostrar se o governo petista sabe ser eficiente no comércio exterior. Apesar do foco ser o de negócios, a visita também tem importância política, pois o líder chinês Xi Jinping fez uma parceria com o russo Vladimir Putin e tudo será observado pelos americanos. Lula esteve nos EUA em fevereiro e retornou de lá com promessa de apoio financeiro ao Fundo Amazônia, muito pouco para quem espera mostrar grande capacidade de reinserir o Brasil no mundo e melhorar a imagem de um país que perdeu espaço internacional. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Desta vez, o governo preparou uma comitiva de grandes proporções, com muitos empresários e políticos disputando uma vaga devido ao porte comercial da China. O país asiático é responsável por 31,9% das exportações brasileiras e famoso por ser hábil nas negociações com seus parceiros. O Itamaraty acertou com a viagem antecipada do ministro da Agricultura, Carlos Fávero, que já está na China com mais de uma centena de representantes do agronegócio, um setor ainda hostil ao petista, mas que não abriu mão da oportunidade de vender mais ao regime comunista. O grande desafio é diversificar a pauta de exportações à China, que é composta basicamente de commodities, como soja, carnes, celulose, açúcar, algodão e petróleo, enquanto o Brasil importa de lá manufaturados e insumos industrializados, inclusive competindo com o segmento químico paulista. Em uma prévia de boas-vindas, a China retomou a compra de carne bovina, que estava suspensa após a notificação em fevereiro de um caso de vaca louca em Marabá (PA), que depois se descobriu ser atípico (aparece espontaneamente com o envelhecimento do gado) e não clássico (quando há transmissão por ingestão de ração contaminada). O Brasil tenta vender itens industrializados e, por mais difícil que seja romper as barreiras do regime, o grande problema brasileiro é de competitividade – o produto nacional dificilmente será mais barato. Entretanto, por mais que o foco de Lula seja comercial, a China tentará expor a visita da comitiva brasileira como um trunfo diplomático, mostrando liderança ou capacidade de romper o isolamento que se desenha contra Pequim no Ocidente. O país asiático fez a opção de se tornar um líder tecnológico mundial para se contrapor aos EUA, que começaram a impedir o acesso chinês a chips de alta precisão e a levar para parceiros, como o México, fabricantes de produtos estratégicos. É uma espécie de revisão da globalização sob critérios geopolíticos, nos quais os fornecedores precisam ficar em território nacional ou de parceiros confiáveis. A viagem também será oportunidade para Lula se recolocar no noticiário de forma mais positiva, desassociando-se um pouco de notícias de inflação, juros altos e desequilíbrio fiscal e até de comentários dispensáveis sobre o ex-juiz Sergio Moro.