O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou na terça-feira que, em um “futuro próximo”, o Sudeste Asiático, sem considerar a China, deverá superar Estados Unidos ou União Europeia como maior importador do Brasil. Essa região, representada pela Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean, na sigla em inglês), é formada por Singapura, Vietnã, Malásia, Tailândia, Filipinas e mais seis economias de menor porte. Em 2003, o Brasil exportou US\$ 3 bilhões para esse bloco, saltando para US\$ 38 bilhões no ano passado. Conforme ressaltou Vieira, o Brasil já vende mais para Singapura do que à Alemanha, e para a Indonésia ou Vietnã mais do que à França. No primeiro semestre, devido ao tarifaço, mediante recuo de 13% sobre igual período de 2025, os EUA importaram US\$ 17,4 bilhões. Portanto, encerrando 2026, é possível que a Asean fique quase empatada com os EUA. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O Brasil precisa mudar sua forma de ver a Ásia, não mirando somente a China, que comprou US\$ 58 bilhões do Brasil de janeiro a junho, e a Índia, com US\$ 5 bilhões. O que se percebe é que a UE, economicamente estagnada (excluindo Irlanda, Polônia e Espanha, que estão crescendo), perde influência mundial rapidamente. Aliás, o Brasil destinou uma longa negociação de 26 anos para assinar o livre-comércio com a UE, consumindo seu pessoal diplomático em extensas reuniões. No fim das contas, fechou um acordo minado por salvaguardas e cotas que limitarão a isenção tarifária. Porém, nesse período, a Ásia manteve um crescimento robusto, impulsionado pela China e Índia. O Brasil soube aproveitar bem o renascimento chinês, mas agora precisa se concentrar onde haverá mais chances de expansão - toda a Ásia. No caso dos EUA, o comércio é altamente complementar, com o Brasil fornecendo matérias-primas, insumos industrializados e manufaturados, como calçados. Entretanto, com uma leitura equivocada, os EUA ignoraram o superávit em relação ao Brasil e aplicaram o tarifaço, estimulando a concentração das vendas brasileiras em poucas commodities, como café, carnes, suco de laranja e petróleo, que ficaram isentas. A relação comercial entre ambos continuará forte, pois os EUA seguem como país que mais investe no Brasil, por meio de 4 mil multinacionais, um grande fluxo financeiro de fundos de investimentos e 760 mil turistas por ano. Porém, EUA e UE não atuam sozinhos em relação ao Brasil, com grupos chineses fazendo aportes na indústria e na infraestrutura. Como vítima do tarifaço, o Brasil faz o mesmo que os outros países sobretaxados – busca novos mercados. O impressionante é que essa estratégia deu certo e a balança comercial continua a crescer. Porém, alguns exportadores, como os da indústria, enfrentam dificuldades para achar outros compradores. De qualquer forma, é acertada a decisão de diversificar o comércio, não dependendo somente de EUA, China e UE.