(Divulgação / Prefeitura de Santos) O debate sobre a criação de uma faixa exclusiva para corredores na orla de Santos, que ganha novo capítulo com a audiência pública convocada para este 27 de abril, na Câmara de Santos, revela, antes de tudo, um “bom problema”. Trata-se de uma cidade em que mais pessoas estão ocupando, ou querendo ocupar, os espaços públicos para a prática de atividades físicas, um sinal inequívoco de vitalidade urbana e de consciência sobre saúde e qualidade de vida. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Esse movimento se torna ainda mais relevante em um município com crescimento consistente da população acima dos 60 anos, uma tendência que se acentuará nas próximas duas décadas. A longevidade ativa exige infraestrutura adequada. Caminhar, correr e pedalar com segurança não são apenas escolhas individuais, mas também responsabilidades coletivas e de gestão pública. Além disso, é inequívoco constatar que, depois da pandemia, mais pessoas, de todas as faixas etárias, estão usando a orla da praia para correr e caminhar, um cenário altamente positivo e desejável, que deve ser estimulado e ampliado. O desafio, agora, está em como acomodar interesses legítimos em um espaço limitado. Duas alternativas principais surgem no debate. A primeira é a ampliação da ciclovia existente, o que poderia permitir uma divisão mais clara entre ciclistas e corredores. A segunda envolve a redução ou eliminação de vagas de estacionamento ao longo da orla para viabilizar uma nova faixa dedicada ao pedestrianismo. Ambas têm implicações. Ampliar a ciclovia pode demandar intervenções estruturais mais complexas e custos elevados. Já a retirada de vagas de estacionamento toca em um ponto sensível, sobretudo em uma cidade que ainda convive com forte dependência do automóvel. No entanto, é preciso reconhecer que o espaço urbano é finito e que sua reorganização deve refletir prioridades contemporâneas. Em diversas cidades ao redor do mundo, soluções semelhantes já foram adotadas. Em locais como Barcelona, Copenhague e cidades da costa californiana, houve redução do espaço destinado aos carros em favor de ciclovias ampliadas, calçadões e faixas multiuso. O resultado, em muitos casos, foi o aumento da convivência, da segurança viária e da atratividade dos espaços públicos. Santos, com sua vocação para a vida ao ar livre, não pode se furtar a esse debate. Estimular o uso da bicicleta, criar condições adequadas para a corrida e valorizar o caminhar são políticas que dialogam diretamente com saúde pública, mobilidade sustentável e qualidade urbana. Mas nenhuma solução será legítima sem diálogo. A audiência pública é, portanto, um momento essencial. É ali que moradores, usuários da orla, especialistas e gestores devem se encontrar para expor argumentos, ponderar impactos e construir consensos possíveis. Mais do que discutir uma faixa para corredores, Santos está debatendo o tipo de cidade que quer ser: uma cidade que prioriza pessoas ou veículos, convivência ou conflito, saúde ou inércia.