[[legacy_image_75198]] O turismo mundial deve perder US\$ 4 trilhões devido à pandemia, segundo a Agência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), o equivalente a três vezes o produto interno bruto (PIB) do Brasil ou quase o PIB da Alemanha. Os efeitos da doença sobre o setor são mais assustadores ainda se for observado o impacto socioeconômico, lembrando que as atividades turísticas empregam mão de obra numerosa e de baixa capacitação. Em meio às várias medidas que os governos podem tomar para socorrer o segmento e estimular a retomada dos negócios dessa área, a Unctad faz uma recomendação bem simples: centrar os esforços na vacinação em massa para acelerar o retorno dos turistas. A entidade faz outra sugestão, que é o certificado de covid-19. Esse documento, no conceito da União Europeia, é um atestado digital que comprova que o passageiro tomou a vacina, fez o teste com resultado negativo ou já teve a doença, ressalvando-se que esse certificado é alvo de críticas de infectologistas e alguns governos. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A agência da ONU alerta que os primeiros três meses do ano foram muito ruins para o turismo mundial, com perspectivas nada amadoras no curto e médio prazos e possibilidade de volta aos níveis pré-pandemia só em 2023. Por isso, os governos, tanto o Federal como os estaduais e os municipais, devem investir em programas de estímulos às atividades empresariais do turismo e também para fomentar a mão de obra. Como vários negócios fecharam ou operam em baixa rotatividade, por uma questão de sobrevivência os trabalhadores podem ter buscado outros setores da economia para se sustentarem. O problema do setor de turismo e também de diversos outros de serviços é a falta de certeza sobre a hora de retomar os investimentos. No Brasil, já se começa a falar em outubro como mês de referência para a reabertura mais forte da economia em razão da vacinação acelerada, lembrando que ainda haverá muitos brasileiros dependendo da segunda dose da AstraZeneca, imunizante que está mais disseminado pelo País. Entretanto, é provável que a circulação da clientela demore um pouco mais para se estabilizar por uma questão de confiança na segurança sanitária. Será preciso reconquistar os clientes de bares e restaurantes que perderam o hábito de frequentá-los ou por uma conveniência financeira ficam em casa. A experiência dos europeus mostra que os surtos de covid aparecem mesmo com a vacinação, porque ela não é total, e que, no caso do turismo, o público tende a optar por pequenos deslocamentos. Além disso, com o impacto da pandemia na economia, muita gente teve a renda reduzida, tirando as viagens de suas prioridades. O recomeço do turismo deverá estar centrado em preços baixos para reconquistar os turistas, o que já é visto em outros países. No Brasil, entretanto, ainda é difícil planejar as férias, o que privilegia o destino de proximidade.