O presidente Luiz Inácio Lula da Silva finalmente disse na semana passada que optou pela exploração da Margem Equatorial ( José Cruz/Agência Brasil ) Tema essencial à Petrobras e foco do conflito com ambientalistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva finalmente disse na semana passada que optou pela exploração da Margem Equatorial. Trata-se da faixa de mar que vai do Amapá até o Rio Grande do Norte, compreendendo paraísos ecológicos, como a Foz do Amazonas e Fernando de Noronha, além de toda a exuberância do litoral nordestino. Questionado pela Rádio Mirante, do Maranhão, Lula disse que haverá um “processo de medição”, que é a pesquisa do potencial da reserva, prevista como muito grande. Por ser contígua à costa das Guianas, onde já foram confirmados bilhões de barris e com extração comercial iniciada, há chances daquela região se tornar uma segunda frente de riquezas para a Petrobras, após o pré-sal do Sudeste. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A polêmica em relação à Margem Equatorial começou com a recusa do Ibama para autorizar a fase de pesquisa no Amapá, o que, pela fala do presidente, deverá ser contornado com base em recurso da Petrobras. O problema é que a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, se opõe à presença da estatal na costa do Amapá. Além disso, ela tem um histórico de conflitos com o PT, inclusive de rompimento, e de enfrentamento à instalação de usinas hidrelétricas na região amazônica. Ainda não se sabe o que Marina vai fazer daqui para frente, pois talvez essa tenha sido a primeira vez que Lula falou de forma tão definitiva sobre a exploração de petróleo naquele trecho do litoral brasileiro. A eventual extração de petróleo naquela região é temida pelos ambientalistas pelo risco ao riquíssimo e fundamental ecossistema da Foz do Amazonas. Lula alega que há uma grande distância entre os dois lugares, de quase 600 quilômetros. É praticamente o dobro do pré-sal em relação à costa paulista e fluminense. Porém, o planeta é um só e os cientistas alertam que cada poço aberto não apenas no Brasil, mas no mundo, passa a liberar grande quantidade de gás carbônico, um veneno que acelera as mudanças climáticas. Mas está em curso uma transição complexa para as energias limpas, que precisam ser empregadas de forma diversificada e simultânea, pois não têm produção estável como o petróleo. Por exemplo, as torres eólicas possuem uma determinada capacidade de geração de energia, mas isso não significa que haverá ventos suficientes chegar a esse nível máximo, enquanto as fazendas solares dependem de amplos períodos ensolarados. Já a Petrobras almeja novas frentes de produção, porque o esgotamento do pré-sal vai se dar mais rápido do que o imaginado e a empresa tentará manter suas receitas em níveis tão altos quanto o atual. Porém, a mudança para fontes limpas é indispensável à sobrevivência na Terra e a empresa terá que se adaptar aos novos tempos. Entretanto, o País precisa dispor de diferentes matrizes energéticas para garantir o suprimento de insumos para os diferentes setores econômicos.