[[legacy_image_110021]] Em 2008, o Facebook chegou a ficar um dia inteiro fora do ar, portanto, bem mais do que as seis ou sete horas em que a rede social permaneceu em pane na última segunda-feira. Entretanto, como bem lembrou o jornal Valor, na época o aplicativo tinha 30 milhões de usuários. Agora são 3 bilhões e mais dois negócios também de porte gigantesco, o Instagram e o WhatsApp, igualmente paralisados pelo blecaute on-line. No caso do app de mensagens, a reportagem publicada ontem em A Tribuna mostra a dimensão do estrago. Pequenos empreendedores não conseguiram fazer delivery de suas refeições e prestadores de serviços não puderam se conectar com seus técnicos e estes com os clientes. Grandes companhias também ficaram paradas. Redes varejistas, como Magazine Luíza, usam o WhatsApp como forma de aproximar seu vendedor físico à clientela. Na Via, que controla Casas Bahia, Extra e Ponto Frio, o “zap” já responde por 20% das vendas on-line, segundo o Valor. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Portanto, o impacto da segunda-feira foi fenomenal, mas trouxe à sociedade a possibilidade de discutir a dependência que se tem hoje em relação às redes sociais em muitas esferas – dos laços familiares ao sustento diário. Aliás, nas redes sociais adversárias, inclusive instáveis por não darem conta da demanda não atendida pelo Facebook, houve até teorias da conspiração sobre algum ataque estatal ou mesmo ação de hacker. Sobre essa última hipótese, um executivo da empresa disse ao The New York Times, citado pelo portal UOL, de que uma ação cibernética teria efeito por regiões e não global. Segundo o Facebook, uma falha atingiu o tráfego de rede e parou a comunicação. Para a empresa, a queda de sua rede ocorreu no pior momento possível, na qual uma ex-gerente do Facebook, um dia antes da pane, disse que havia conhecimento interno sobre impactos, por exemplo, da rede social na autoimagem das adolescentes. Por outro lado, o blecaute poderá levar a piorar a situação da gigante tecnológica na Comissão Federal do Comércio dos EUA, onde é alvo de caso antitruste. Se perder, o risco será ter que vender para concorrentes o Instagram ou o WhatsApp. A conclusão seria a de que a empresa está muito grande e poderosa, com força descomunal perante o usuário e as regulações do Estado, algo que também é debatido no Reino Unido e na União Europeia. A discussão sobre as redes sociais é complexa e se mistura com um jogo de interesses políticos, pois os governos estão insatisfeitos com a dificuldade de impor regulação, assim como extremistas questionam moderações de conteúdo. Mas, com as informações que se tem até agora, é preciso cobrar eficiência técnica, assim como se faz em relação a outros serviços digitais ou físicos prestados à sociedade. Os aplicativos são uma ferramenta importante e útil para a sociedade e, agora, não há dúvida de que essas empresas precisam ser questionadas sobre suas falhas.