[[legacy_image_138297]] Neste primeiro dia do ano, a torcida é para que o País controle rapidamente a pandemia não só pela saúde da população, mas para acelerar a recuperação da economia. Esse trabalho será árduo, até porque as condições não são nada fáceis. Se por um lado o período de disputa eleitoral deve impor uma volatilidade ao câmbio e tentação ao governo para aumentar os gastos, de outro, no exterior, a provável subida dos juros nos Estados Unidos vai retirar capitais dos países emergentes, entre eles o Brasil. Paralelamente, o País ainda estará com juros altos – de dois dígitos – para debelar uma inflação, condição que por si só já desestimula o consumo e os investimentos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Será um ano desafiador, uma expressão muito usada nos tempos atuais para amenizar quando se quer dizer que as dificuldades são imensas. Porém, há alguns fatores que poderão servir de sustentação na hora que a economia engrenar. Mineração e agronegócio continuarão atraindo moeda estrangeira para o País, garantindo um saldo folgado com as exportações. No mercado interno, os pequenos negócios estão endividados, mas um programa de renegociação vai trazer algum alívio. Entre as grandes empresas, os balanços se mostram saudáveis e lucrativos, o que vai permitir investimentos em inovação e novas tecnologias, além da própria expansão de suas estruturas. No lado estatal, as contas da União de 2021 surpreenderam – reflexo da alta da receita, devido à inflação e queda das despesas porque o governo não conseguiu investir. Para 2022, a economia travada pelos juros altos e os gastos com salários e Auxílio Brasil deverão inverter tais números. Mas o Executivo federal pretende acelerar leilões na área da infraestrutura. Já prefeituras e governos estaduais tendem a conceder serviços de saneamento à iniciativa privada, atraindo bilhões para setor que por décadas não recebeu as atenções dos gestores públicos. Fica ainda o suspense com privatizações da Eletrobrás, Correios e do setor portuário. Como se trata de ano eleitoral, as pressões sindicais serão muito fortes, tanto contra a venda de estatais quanto por aumentos salariais, cujo estopim é o reajuste prometido aos policiais federais. A pandemia destruiu empregos e investimentos, mas o governo perdeu um tempo precioso ao não aproveitar sua aliança com o Centrão para promover duas reformas importantes que não saíram do papel, a tributária e a administrativa (dos servidores federais). Como são temas que envolvem interesses, inclusive dentro da base do próprio governo, dificilmente serão votadas em ano eleitoral. Este será um ano de cobrança de resultados na economia, até mais do que na saúde, o que poderá estimular o governo a trabalhar por medidas administrativas que possam estimular os negócios. Mas a sociedade também vai precisar de soluções para a educação, do ensino básico à formação profissional, conforme os novos tempos exigem, com mais tecnologia.