[[legacy_image_272468]] As semanas que antecederam o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado hoje, não foram fáceis no cenário nacional: esvaziamento da pasta hoje comandada por Marina Silva em assuntos eminentemente ambientais, como a gestão da água, do dados sobre saneamento básico, da gestão dos resíduos sólidos e até dos licenciamentos ambientais. Acompanhar, regular, propor legislações e estruturas próprias são tarefas do Meio Ambiente, não obstante serem temas transversais, que devem percorrer as demais pastas para que o fluxo de medidas e decisões tenha fluidez e assertividade. O meio ambiente, porém, é um campo do conhecimento humano que transcende a esfera pública, muito embora seja dela a tarefa de criar políticas para manejar e garantir a sustentabilidade e equilíbrio do planeta. Mas já ficou para trás a ideia de que a tarefa seja apenas de órgãos públicos. Os desafios impostos nas últimas décadas, aliados a estudos e pesquisas que mostram a curva descendente e preocupante dos recursos naturais face à exploração pelo homem, espalham as obrigações por toda a sociedade, e de maneira mais forte o universo empresarial. Não por outro motivo, todas as conferências mundiais sobre o clima e a biodiversidade impõem regras e obrigações aos diversos setores da cadeia produtiva, sob pena de sofrerem sanções e embargos nas relações com outros países. Um conceito, em especial, tem particular contribuição nesse processo: o ESG, sigla para o conjunto de políticas que devem ser adotadas pelas empresas para garantir, entre outras questões, uma menor pegada ambiental em seus processos produtivos. A expansão desse conceito estabelece que, em muito pouco tempo, empresas que não incorporarem essas práticas poderão ser excluídas das relações comerciais com seus pares e com outros segmentos. Já é maior a consciência de que o planeta está mais quente, as águas mais poluídas, os resíduos sólidos estão contaminando o solo e reduzindo a vida útil dos aterros, algumas espécies de animais já estão sendo extintas e o oceano sofre com a carga de detritos e plásticos mais do que décadas atrás. Mais que isso: temas como esses hoje estão mais presentes nas escolas, na mídia, nas empresas e no inconsciente coletivo da sociedade. O desafio, porém, é tirar da letargia pessoas e comunidades que, durante anos, acharam que os recursos naturais eram infinitos. Inverter o eixo de posturas equivocadas, como não separar o lixo ou desperdiçar alimentos, é a lição de casa coletiva. Já está claro, especialmente para os cientistas, que compromissos assumidos em protocolos internacionais, como o de Kyoto ou o Acordo de Paris, não serão atingidos a tempo de evitar o pior. Ainda assim, é possível mitigar os estragos não só com políticas internacionais de auxílio mútuo entre países, como engajar mais pessoas nesse diálogo entre o meio e o ambiente, quer seja para que mudem de postura, quer seja para que saibam cobrar de autoridades, governos e empresas.