Não há mais como retroceder nos impactos gerados ao longo de décadas, mas ainda há tempo de mitigar seus efeitos(FreePik) Na última semana, um novo relatório da Unesco jogou luz, mais uma vez, sobre o quadro alarmante dos oceanos, que no ano passado registraram recorde de aquecimento, alcançando 1,45 grau, um ritmo preocupante e devastador não só sobre a fauna e flora marinhas, mas também para o equilíbrio climático do planeta. Os oceanos são responsáveis pela manutenção do clima na Terra, absorvendo grande parte dos gases de efeito estufa emitidos pelas atividades humanas. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O aquecimento dos oceanos é um dos indicadores mais claros e inquietantes das mudanças climáticas. No relatório divulgado pela Unesco, do qual participaram 99 pesquisadores de 26 países, o alerta do aquecimento se estende ao fundo dos mares, que hoje já tem 25% de seu território mapeado. O branqueamento dos corais, a diminuição das populações de peixes e a perda de biodiversidade são apenas algumas das tragédias ambientais que todos testemunham. Os corais, em particular, são organismos imprescindíveis para a vida marinha, servindo como habitat a inúmeras espécies. Sua morte representa o comprometimento de todo o ecossistema marinho, interferindo também na produção de alimento para as populações de peixes consumidos pelo homem. Além das implicações ambientais, o aquecimento dos oceanos tem impactos diretos sobre as populações. Tempestades mais intensas e frequentes, aumento do nível do mar e alteração dos padrões climáticos são algumas das consequências já enfrentadas. Cidades costeiras, muitas das quais são centros econômicos vitais, estão sob ameaça crescente. Nesse universo da Ciência, a boa notícia é que nunca se presenciou tamanho volume de informações acadêmicas como agora, o que significa dizer que, hoje, há conhecimento suficiente para compreender o papel exato de cada bioma da Terra e como impactam as mudanças climáticas sobre cada um. Há muito tempo os oceanos deixaram de ter relevância apenas para a atividade portuária, recreativa, de transporte de cruzeiros marítimos ou a pesca. Eles fazem parte do mecanismo climático que afeta diretamente os continentes, quer pela mudança de ventos e correntes marítimas, quer pelo derretimento das calotas polares e aumento do volume que acaba invadindo as zonas costeiras. Medidas de conservação dos oceanos, como a criação de áreas marinhas protegidas, limpeza de rios e mangues, controle da qualidade das águas que chegam aos mares e, principalmente, educação ambiental, são ações urgentes e imperativas, políticas que não podem retroceder. O Brasil tem dado passos importantes nesse caminho, em especial em relação à educação ambiental e a criação de escolas azuis. É certo que não há mais como voltar atrás nos impactos gerados ao longo de décadas, mas ainda há tempo de mitigar seus efeitos sobre a vida na Terra.