[[legacy_image_295161]] Um estudo da pesquisadora especializada em mudanças climáticas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Luciana Gatti, que voltou a ser publicado pela revista Nature no fim do mês passado, retrata a dramática situação da Floresta Amazônica. Segundo ela, em partes do bioma, a mata já não consegue mais absorver gás carbônico, um fenômeno que exige reposicionamento do governo e da própria sociedade pelas implicações econômicas e ambientais. Com explicações didáticas, ela diz que o bioma é o “airbag” do Brasil e que avançar sobre a mata para expandir pastagens e plantar soja é um “péssimo negócio” por diminuir as chuvas no restante do País. Em entrevista ao programa de Mário Sérgio Conti, da GloboNews, ela disse que a destruição da Amazônia caiu 40% em um ano, mas que o problema continua sério. A cientista contou ainda que há áreas com mais morte do que nascimento de árvores, o que equivalerá ao fim da mata. Ela alertou ainda que a derrubada se consolidou no lado oeste da floresta, no Amazonas. Aliás, afirmou Luciana, há um projeto de replicar o Matopiba (fronteira agropecuária do sul do Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia) no Amacro (sul do Amazonas, leste do Acre e Rondônia). Essa região fica no lado oeste e tem uma mata muito densa, imensos rios e impressionante diversidade ambiental, mas sofre ocupação desenfreada da mineração ilegal, que destrói as margens e contaminam os rios, e da pesca abusiva. O avanço se dá por meio de estradas improvisadas que se ligam às rodovias federais ou pela navegação nos próprios afluentes do Amazonas. Portanto, não há mais tempo para postergar decisões sobre o que o País deve fazer em relação à Amazônia, e é óbvio que se deve preservá-la e protegê-la contra a exploração devastadora. Com o aperto da fiscalização na mata, Luciana lembrou que a destruição avançou em outro bioma, o cerrado, mais uma tragédia ambiental de dimensão assustadora. Segundo ela, já há regiões do cerrado em que o agronegócio, com a seca dos rios, precisa captar água do lençol freático. As decisões em relação ao meio ambiente precisam considerar a sustentação econômica do País, em especial as populações que vivem junto às matas. O mesmo vale para o petróleo, contra o qual a cientista defende a troca imediata em benefício de matrizes limpas. As evidências climáticas estão aí e se compreende a posição dos cientistas, que precisam ser apoiados pelo futuro do planeta. Porém, a transição não é simples e barata e não está claro se isso se dará rapidamente ou aos poucos, o que não permite abrir mão da commodity por uma questão de segurança energética. Mas isso não significa tolerar a destruição dos biomas. Por questão de sobrevivência, o Brasil precisa mergulhar na economia sustentável, seja no agronegócio ou no uso das novas energias, para proteger as matas e atenuar as mudanças climáticas.