( Imagem Ilustrativa/Pixabay ) Os incêndios em matas e plantações e a fumaça em centenas de cidades no Interior paulista, Minas Gerais e Distrito Federal, entre outros estados, mostram não apenas o impacto das mudanças climáticas, mas também a necessidade de ações coordenadas da reação do setor público e da sociedade. Os governos Estadual e Federal passaram a reprimir e investigar a ação criminosa que se aproveita do clima seco para destruir florestas, porém, é preciso haver uma estratégia contínua nesse lado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Preservar a mata é questão de sobrevivência e a proteção ao meio ambiente não pode ser vista como entrave ao desenvolvimento, mas condição para que a prosperidade avance de forma sustentada, sem resultar em tragédias como a atual ou mesmo a do Rio Grande do Sul. A estiagem é comum nesta época do ano no Interior, mas ela tem sido extremada pelas mudanças climáticas. Os órgãos do clima alertaram que na transição do El Niño para o La Niña, fenômenos que interferem na temperatura das águas do Oceano Pacífico com reflexos mundiais, para chuvas intensas no Sul e seca no Sudeste e Centro-Oeste. Em Brasília não chove há 120 dias e a fumaça tomou conta da paisagem tampando até o prédio do Congresso. O fogo também causou o mesmo problema de Campinas a Ribeirão Preto, no Sul de Minas e também próximo a Belo Horizonte. Paralelamente a seca voltou a se intensificar na Região Amazônica de uma forma muito preocupante. Ontem o portal G1 publicou uma reportagem em que afirma que a estiagem no País é a mais acentuada em 44 anos. Um mapa mostra o problema cruzando o Brasil, com uma gigantesca mancha começando em Minas Gerais e São Paulo, passando pelo Mato Grosso do Sul e Goiás, atravessando todo o Mato Grosso e atingindo o Sul do Pará. Também há trechos de escassez hídrica no Paraná e no leste da Bahia, resultando em 16 estados mais o Distrito Federal atingidos. Portanto o impacto da falta de chuvas somada aos incêndios e a fumaça tem abrangência nacional. Porém, o Sudeste e as cidades do próprio Centro-Oeste e Norte já passaram, em anos anteriores, principalmente em 2023, por incêndios e fumaça. Essa crise, portanto, não é nova, e a resposta integrada, incluindo como a população deve ser informada ou socorrida, já deveria estar mais do que definida. Por enquanto, já foram registradas duas mortes na tentativa de apagar o fogo, uma festa eletrônica foi interrompida pela fumaça e houve o avanço das chamas sobre bairros de alto padrão de Ribeirão Preto. Este último caso lembra muito as queimadas recorrentes na Califórnia, destruindo imóveis próximos à mata. O Brasil precisa aprender com a experiência dos Estados Unidos e Portugal, que já registrou muitas mortes nesse sentido, desenvolver legislação específica mais rigorosa e investir muito mais em campanhas informativas para orientar rotas de fuga e denunciar queimas criminosas.