[[legacy_image_56449]] A cobrança das empresas do agronegócio por mais investimentos em acessos ferroviários ao Porto de Santos é justa e se for compreendida pelo governo vai beneficiar toda a economia. O assunto foi o destaque ontem no 1o Encontro Porto & Mar 2021, realizado na quarta-feira pelo Grupo Tribuna. A preocupação dos empresários, que atinge também representantes dos setores industrial e de fertilizantes, entre outros participantes do evento, é expandir suas produções e não conseguirem otimizar suas operações devido a gargalos do complexo santista. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Enquanto o setor de serviços, devido ao desemprego e às restrições impostas pela covid-19, não tem condições de impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, o campo e a mineração, em bom momento das commodities, lideram a retomada brasileira, ainda que muito frágil. Entretanto, o ponto fraco do País continua nos transportes, que há décadas não recebe os recursos necessários para crescer ou melhorar sua eficiência. Caso a infraestrutura tivesse avançado como em outras nações concorrentes, o custo da produção do Brasil seria muito menor e mais competitivo. No caso do agronegócio, os produtores brasileiros têm índices de eficiência em linha com seus principais pares internacionais, uma vantagem que começa a ser anulada quando as mercadorias caem nos mais diversos modais rumo aos portos. Considerando a questão santista, deve-se preocupar também com a competição dos outros portos, o que é saudável, mas com o agravante de ocorrer alguma desvantagem referente aos custos locais. Pelo próprio dinamismo e crescimento do agronegócio e da mineração, há investimentos portuários no Norte, Nordeste e Sul. Já o Porto de Santos precisa ser privilegiado com melhorias devido ao seu tamanho e localização estratégica no maior mercado produtor e consumidor do País, que é São Paulo. No 1o Encontro Porto & Mar 2021, discutiu-se o impacto da decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que autorizou a prorrogação de arrendamento de terminal na região de Outeirinhos, travando os investimentos do governo na melhoria do tráfego ferroviário no cais santista. Segundo a Autoridade Portuária, que desempenha o papel de gestora da antiga Codesp, essa obra postergada terá impacto direto na malha da Margem Direita (lado santista do Porto) e, por consequência, nos terminais. Dessa forma, o governo precisa agir rapidamente frente a esse impasse e encontrar, caso o plano ferroviário inicial não possa ser cumprido, a melhor solução para o setor. As oportunidades de crescimento para o complexo portuário santista são grandes e elas coincidem com um mercado externo muito favorável. Mas seu potencial tem gargalos bem definidos, entre eles o ferroviário. Problemas na infraestrutura são uma tradição no Porto, porém, de demorada solução sempre que surgiram – e esse tempo não pode ser perdido agora.