O free flow começa a funcionar no Sistema Anchieta Imigrantes (SAI) em 1º de agosto (Ecovias Imigrantes/Divulgação) A implantação do pedágio eletrônico no Sistema Anchieta-Imigrantes, o chamado free flow, a partir do dia 1º de agosto, representa um daqueles momentos em que a tecnologia alcança mais um degrau de uma estrutura viária. Trata-se de um modelo consolidado em diversos países há décadas e considerado um dos sistemas mais eficientes do mundo para cobrança de tarifas em rodovias. Seu maior mérito é evidente: eliminar o gargalo formado pelas praças de pedágio, responsáveis por filas, perda de tempo, aumento no consumo de combustível e emissões desnecessárias de poluentes, sobretudo nos períodos de maior movimento rumo à Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Não por acaso, a expectativa é de que o novo sistema torne o fluxo mais contínuo, seguro e previsível. A fase de testes realizada em junho reforça essa percepção. Ao longo do período, cerca de 2,5 milhões de veículos passaram pelos pórticos instalados nas rodovias Anchieta e Imigrantes, dos quais 1,9 milhão eram veículos de passeio e 600 mil comerciais. O dado mais relevante talvez seja outro: 77% desses veículos já possuíam tag ativa, permitindo a cobrança automática da tarifa sem qualquer intervenção do motorista. Mas é justamente o universo dos 23% restantes que exige máxima atenção. O sucesso do free flow não depende apenas da tecnologia embarcada nos pórticos, mas também do entendimento da população sobre o novo modelo. Milhares de motoristas precisarão aprender como consultar e efetuar o pagamento dentro do prazo estabelecido para evitar multas e outras penalidades. Há um risco adicional que não pode ser ignorado. As concessionárias, entre elas a Ecovias Imigrantes, têm alertado que não enviam boletos, links de pagamento ou cobranças por redes sociais ou mensagens. Ainda assim, é fácil prever que criminosos poderão explorar essa mudança para aplicar golpes, enviando falsas notificações de débito, QR Codes fraudulentos e mensagens alarmistas a motoristas desavisados. Quanto maior a novidade, maior também a oportunidade para as quadrilhas especializadas em fraudes digitais. Por isso, a implantação do sistema deve ser acompanhada por uma campanha permanente, massiva e didática para além da inauguração. Será preciso orientar os motoristas por todos os meios disponíveis, incluindo os próprios canais da concessionária e do Governo do Estado, veículos de comunicação de massa, pórticos nas estradas e em postos de abastecimento ao longo do percurso. Uma das formas mais eficazes de reduzir as oportunidades para golpes é ampliar o uso das tags eletrônicas. Para isso, é desejável que o mercado avance para um modelo em que a adesão seja efetivamente gratuita e sem mensalidades para todos os usuários, independentemente de relacionamento com bancos ou empresas parceiras. Quanto menor a barreira de entrada, maior tende a ser a adesão dos motoristas e menor a dependência de consultas e pagamentos posteriores, justamente o ambiente em que fraudadores costumam atuar.