(Reprodução/Instagram) O novo tarifaço dos Estados Unidos, em duas etapas, de 25% especificamente sobre o Brasil, e de mais 12,5% para um grupo de países, confirma a promessa do presidente Donald Trump de retomar as sobretaxas, após a Suprema Corte dos EUA derrubá-las em fevereiro. O Governo Lula e as entidades empresariais falam em renegociação para revertê-las, mas essa possibilidade é remota. Apesar das alegações dos EUA para justificá-las, ficou evidente que a ideia é recuperar a taxação com artifícios legais difíceis de serem questionados na Justiça. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As novas tarifas ainda precisam ser confirmadas. No caso do percentual de 25%, a data prevista para entrar em vigor é 15 de julho. No dia 9 do mesmo mês, haverá uma audiência, que pode se transformar em uma festa política trumpista para constranger o País com as alegações de que o Brasil é um mau parceiro comercial. O foco das acusações é o Pix, sistema que os EUA dizem que prejudica suas operadoras de cartões de crédito. O governo americano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, cita ainda o desmatamento e desrespeito à propriedade intelectual para sobretaxar o Brasil. Porém, ontem, os EUA anunciaram outros 12,5% especificamente relacionados a falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A medida, apesar da alegação humanitária, completa o esforço descarado de recompor as tarifas derrubadas pela Justiça. No ano passado, o Brasil foi atingido com a sobretaxa mais alta do mundo, de 50%, reduzida para 10% após a Suprema Corte derrubar a de 40%, justificada por questões políticas, como decisões do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. Falta compreender como o percentual de 12,5% seria aplicado. Já os 25% atingiriam um quinto das exportações brasileiras. A incidência sobre o Brasil é mais política, pois o País é deficitário comercialmente com os EUA e a exportação brasileira é complementar, com insumos e partes industrializadas utilizados pelas empresas americanas para produzirem suas mercadorias. Outros itens, como carnes, café, suco de laranja, petróleo e aviões, já estavam isentos e continuarão, porque, caso contrário, tarifados, impulsionariam a inflação dos EUA. Lula já retomou o discurso da soberania, que lhe garantiu popularidade na ocasião da implantação da taxa de 50%. O presidente culpa o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ter defendido o tarifaço original e o atual. Flávio negou, divulgando somente agora uma carta endereçada à Casa Branca para que não fossem aplicadas novas tarifas. Mas o petista lembrou que Flávio e Eduardo Bolsonaro agradeceram a Trump após o anúncio das sanções no ano passado. A iniciativa de Trump é de uma estupidez incalculável, um protecionismo retrógrado típico de políticos extremistas que merece repulsa. Obviamente que é preciso insistir na negociação, que poderá dar certo somente se Lula convencer diretamente Trump.