(Freepik) Por enquanto, o impacto mais perceptível da inteligência artificial está na economia. O desenvolvimento da nova tecnologia faz empresas atingirem valores de mercado trilionários (em dólares) rapidamente e deixa funcionários e investidores milionários ou bilionários, no rastro de negócios como os de Elon Musk. A cada poucos meses, a tecnologia dá saltos impressionantes, mas segue dependente das riquezas minerais do planeta, tal como na revolução industrial do século 19. Por isso, há uma corrida mundial por minerais críticos e terras raras, com o Brasil com o futuro bem traçado nesse caminho. Como se acha que não haverá reservas suficientes para atender a demanda, uma das metas da SpaceX, de Musk, será explorar a mineração no espaço. Entretanto, há o mundo das empresas convencionais e dos cidadãos comuns. Parte já utiliza a inteligência artificial, ainda em uma escala experimental. Como as companhias desenvolvedoras dessa tecnologia uma hora vão ter que faturar bastante para remunerar seus investidores, fica a dúvida se a sociedade, e não apenas uma minoria enriquecida, terá condições de pagar por esse conhecimento. Como não se sabe até onde vai esse desenvolvimento, a maioria acompanha tudo isso sem reação, maravilhada com as novidades, mas desconfiada da possibilidade desse salto ser maior do que a humanidade poderá suportar. Porém, é preciso discutir tais avanços e questioná-los, ao mesmo tempo em que se deve admitir que a inteligência artificial vai garantir revoluções na saúde e na qualidade de vida. Em entrevistas, nem mesmo os desenvolvedores da inteligência artificial, como o CEO da OpenAI, do ChatGPT, Sam Altman, sabem indicar até que ponto o mercado de trabalho vai ser impactado. Muitas funções vão desaparecer e outras serão criadas, mas pesquisas indicam que as novas profissões talvez não deem oportunidades na mesma escala das que deixarão de existir. Isso sinaliza mais desigualdade, uma realidade que os brasileiros já conhecem, mas uma novidade para os países desenvolvidos. O que já se tem de concreto é uma safra de grandes bilionários disposta a servir governos para manter interesses e privilégios, um perigo que pode matar as democracias. A inteligência artificial, por outro lado, vai propiciar praticidade. Há inúmeros ganhos, como obter soluções rápidas e eliminar falhas humanas. Mas existe o risco da dependência. Em uma comparação bem simples, há algumas décadas, o domínio do vocabulário, além de leitura e muito estudo, dependia de consultar o dicionário. Hoje, há corretores digitais bem avançados suprindo essa necessidade. Essa circunstância, levada para outras disciplinas, traz, segundo pesquisadores, um sério risco do ser humano reduzir sua capacidade intelectual, dependendo das máquinas ao nível muito superior ao imaginado. São questões que assustam, mas que o planeta não poderá deixar de enfrentar se quiser usufruir do desenvolvimento tecnológico.