[[legacy_image_316485]] O título deste editorial é o mesmo do livro publicado no ano passado, vencedor do Prêmio Jabuti, escrito pelo economista Gesner Oliveira e pelo pesquisador Artur Villela Ferreira. O livro foi escrito com outros propósitos, também relacionados às questões ambientais, mas seu título empresta sentido exato ao cenário que ora se discute na Baixada Santista, que precisa planejar ações e iniciativas que mitiguem os impactos das mudanças climáticas já em curso. Não há mais tempo para negacionismos, posto que a ciência vem comprovando, por meio de estudos criteriosos, que as ondas de calor, as chuvas intensas, o aquecimento do oceano e a mutação de espécies da fauna e flora são, sim, decorrentes da elevação das temperaturas ao longo dos anos. Mas também não se pode cruzar os braços e adotar a inação por entender que o apocalipse está próximo. Não está. Mais que isso: é possível adotar medidas para reduzir os efeitos do que já está sendo sentido, e evitar consequências à infraestrutura urbana, à saúde e, principalmente, às populações mais vulneráveis. Santos, que na semana passada figurou em estudo da ONU que apontou a Cidade entre as dez que terão parte de sua população afetada pela subida dos oceanos, vem adotando medidas assertivas de resiliência e proteção. O conhecimento e a proximidade com a Ciência favorecem a adoção de projetos inteligentes, como o plantio de espécies próprias para conter o deslizamento de terras nas encostas em tempos de chuva intensa, mas é preciso lembrar que, nos anos 90, trabalho importante foi iniciado nos morros, sob o comando da geóloga Cassandra Maroni Nunes, que encerrou a sequência de tragédias verificadas no período mais denso das chuvas. Nos últimos anos, a Cidade vem adotando o que há de mais adequado para as cidades costeiras, que são as soluções baseadas na natureza (SBN), utilizando os próprios ecossistemas para proteger a Cidade. Ainda é preciso, porém, criar mais corredores verdes e espaços arborizados nos bairros para suportar as ondas de calor. E cuidar para que os efluentes domésticos sejam tratados de forma a não ir parar nos canais. São tarefas em curso, que precisam ser perseguidas governo após governo. Já está provado que a preservação dos biomas, como a Mata Atlântica, é importante aliado no combate às mudanças climáticas, e a região tem, ainda, reminiscentes valiosos que podem ajudar nesse processo, como restinga e manguezal. Municípios que ainda têm esses ecossistemas em seu relevo devem cuidar para preservá-lo. A pauta do clima deve estar nas campanhas políticas dos pretendentes a cargos eletivos no próximo ano, porque são tão importantes como as demais. Ter a ciência exata desses cenários permite não só escantear a ideia de negacionismos e apocalipse, como qualificar a escolha de prefeitos e vereadores, e cobrá-los de medidas assertivas para mais esses desafios da região.