[[legacy_image_16]] Em meio à discussão sobre velha e nova política, que agita o País nos últimos tempos, confunde-se a prática da negociação, inevitável e necessária em qualquer regime democrático, com atos nefastos de corrupção. Velho e novo, neste caso, não passam de clichês que nada significam. A causa disso está ligada ao fato que a classe política se viu envolvida em graves denúncias de desvio de dinheiro, seja para caixa 2 de suas campanhas, seja para enriquecimento pessoal ilícito.Tudo isso é nefasto e merece repúdio, mas não se deve assumir que as relações dos parlamentares com o Executivo sempre estão pautadas pela busca de vantagens financeiras. O toma lá dá cá, muito criticado pelo presidente Jair Bolsonaro, merece ser analisado com atenção. Se a prática representa a barganha fisiológica, envolvendo cargos (com nomeação de pessoas despreparadas para as funções, muitas vezes parentes e amigos), ou descamba para a obtenção de recursos ilícitos e ilegais, em troca de votos e apoio no Congresso, merece ser amplamente repudiada e combatida. Se os acordos celebrados, entretanto, envolvem a liberação de emendas parlamentares (legítimas e incluídas no Orçamento), a situação é distinta. A ocupação de espaços na máquina pública para aliados não é danoso ou ilegítimo,da mesma forma que destinar verbas para obras e programas nas áreas de infraestrutura, saúde e educação nãopode ser visto como ato de corrupção. Além disso, deve ser ressaltado que deputados e senadores são representantes do povo, e como tal defendem posições e interesses que devem ser levados em conta pelo governo federal. No caso da reforma da Previdência, tema que mais desperta atenções atualmente, é inevitável que haja divergências e opiniões contrárias. Embora o projeto, ao final, beneficie a todos, garantindo equilíbrio fiscal epermitindo o crescimento econômico, há perdas iniciais, que não são distribuídas de maneira uniforme entre várias categorias. Isso provoca reações e críticas, que precisamser consideradas. A política é, ao mesmo tempo, a ciência e a arte de resolução de conflitos. Não deve, portanto, ser demonizada. A negociação em torno de projetos de grande impacto, como a reforma da Previdência, é absolutamente necessária, e o Executivo deve agir para promover o debate franco e aberto sobre todos os seus aspectos. O antídoto à corrupção e à barganha fisiológica é a transparência, com posições claras e abertas no processo de negociação. Conversar, avançando e recuando em alguns pontos, é essencial. A busca do consenso - é importante lembrar que consenso não é unanimidade - envolve diálogo permanente, única maneira de se chegar a resultados positivos. Eles podem não ser ótimos e perfeitos para todos, mas representam o possível, a ser valorizado e promovido.