(Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil) Consta nos planos do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apoiar setores mais castigados pela tarifa de 50% imposta pelo Governo Trump. Essa ideia, que ainda depende de aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, indica que um pessimismo sobre a redução da sobretaxa ou um acordo no curto prazo com a Casa Branca. Haddad disse que vai sugerir um plano de contingência, que ganha importância se o conflito político-comercial com os Estados Unidos se acirrar. Neste caso, o Brasil aplicaria a Lei de Reciprocidade, como retaliar com taxa parecida à dos EUA, quebrar patentes de remédios e direitos autorais e até suspender remessas de dividendos de multinacionais, e os americanos anunciarem mais e mais punições. Uma das possibilidades levantadas por Haddad no socorro aos setores mais afetados, como o de pesca, seria abrir uma linha de crédito. Trata-se de uma medida emergencial, com efeito preocupante se o mercado americano não for reaberto no médio prazo e as empresas então endividadas não encontrarem clientes alternativos em outros países. Na pandemia, muitas empresas tomaram empréstimos emergenciais, mas sofreram com a subida da taxa Selic e com vendas que se recuperaram lentamente. O que preocupa é que o Governo Lula possa se mostrar indisposto a negociar, reflexo de um combate acirrado. Por enquanto, a gestão petista tem feito reuniões com o empresariado para apontar as dificuldades e levantar soluções, mas o problema é que a diplomacia comercial do País não consegue conversar com sua equivalente americana. A barreira é política, lembrando que em sua carta ao Brasil o presidente Donald Trump impôs como condição a suspensão do processo de Jair Bolsonaro. Analistas nos EUA têm afirmado que a negociação com o Brasil, sob a ótica da Casa Branca, será mais dura porque o País, diferentemente de outras economias do continente, depende menos dos americanos. No Brasil, economistas estimam que o tarifaço dos EUA equivalerá de 0,3% a 0,6% do Produto Interno Bruto, o que indica que seu impacto seria moderado. Os setores mais atingidos são o de suco de laranja, café, aço, frutas, celulose, aviões, carnes, petróleo e partes de veículos. Algumas empresas são líderes mundiais em suas áreas ou têm formidável desempenho, como Embraer, Suzano, Citrosuco, Cutrale e Weg. Mas o problema é que até encontrarem novos clientes, suas unidades no Brasil podem ser paralisadas ou sofrerem cortes de pessoal, prejudicando cidades pequenas e médias que dependem dessas companhias para gerar emprego e receita de impostos. Há ainda o fato do Brasil conseguir exportar mercadorias de valor agregado aos EUA, algo que não ocorre em relação à China, que compra commodities minerais e agropecuárias – soja, carne, minério de ferro e petróleo. Diversificar as exportações para outros países é uma boa solução, porém, essa é a alternativa dos outros países atingidos por Trump, indicando que a concorrência será acirrada.