[[legacy_image_331355]] O acordo selado na última terça-feira entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) pela construção conjunta do túnel Santos-Guarujá é a melhor solução para tirar do papel um projeto ambicionado há décadas pela região. Os dois lados merecem aplausos pela decisão, em um sinal de maturidade e trabalho pelo interesse público da Baixada Santista, considerando que estão envolvidas lideranças políticas oponentes. E, como já é de amplo conhecimento, o País enfrenta uma polarização – que precisa ser superada pelo bem do desenvolvimento nacional. Para a Baixada Santista, o que interessa é o investimento se tornar realidade e, com Lula e Tarcísio bem afinados quanto à execução do projeto, a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não tem motivos para não se consumar. Com o túnel, espera-se que chegue ao fim o transtorno de décadas dos moradores da região, em especial de Santos e Guarujá, e ainda de turistas e profissionais que precisam transitar entre as duas cidades. Economia de tempo, segurança no percurso e redução de custos de transportes são os principais ganhos que a Baixada Santista terá com o investimento, e que se acumularão com o passar dos anos. Entretanto, quando se trata de investimento em infraestrutura no Brasil, é preciso haver uma atenção especial, pois o passado revela um histórico de atrasos e adiamentos que fizeram com que muitas obras de rodovias, ferrovias e usinas hidrelétricas muitas vezes demorassem mais de uma década para serem executadas. Nessa situação, isso tende a aumentar os custos dos materiais, ampliando o risco da interrupção, por exemplo, quando há troca de governo e o sucessor tem outras prioridades. Além disso, em um País com constante instabilidade econômica, cortes do orçamento castigam a infraestrutura, que hoje está defasada, sendo um dos pontos centrais do Custo Brasil e motivo de queixa do empresariado, que enfrenta problemas de baixa competitividade internacional. Portanto, a parceria entre Governo do Estado e União se torna mais importante ainda pela percepção de que a construção poderá ser feita dentro do prazo almejado para o empreendimento. A ideia é investir R\$ 6 bilhões no túnel, com o custo dividido meio a meio e os trabalhos começando em 2025 e terminando no máximo em 2029. A parceria também é importante para evitar que eventual necessidade de licenças ambientais, caso o projeto fosse tocado apenas por um lado, o federal, atrase as obras. Trata-se de um empreendimento complexo, mas de grande importância pela modernização do sistema viário que ele vai garantir, pois estará conectado a outros modais, resultando em conforto e modernidade para a população. Muitas dificuldades, sejam do projeto ou da negociação política, devem aparecer daqui para a frente, mas os resultados se darão com a disposição de agir em parceria.