[[legacy_image_239730]] A estagnação populacional da China, que tem 1,4 bilhão de habitantes, é uma antecipação do que o planeta terá pela frente, inclusive o Brasil. No mundo desenvolvimento e em partes dos países emergentes, a natalidade está em queda e os idosos vivem cada vez mais, o que é motivo de comemoração. Mas há um reflexo que desafia a sustentação das principais economias, se o atual modelo continuar – menos jovens contribuindo para manter sistemas previdenciários com mais segurados com benefícios de custo em ascensão contínua. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A China registrou no ano passado um decréscimo de 850 mil habitantes – o equivalente a duas Santos. A queda parece um alívio para o regime comunista, que há seis décadas não conseguia alimentar seu povo que passava fome. Depois, engrenou um prolongado crescimento econômico, com notável progresso. Hoje ainda há centenas de milhões de chineses aguardando a oportunidade de migrar para as grandes cidades, aumentando suas rendas e consumindo feito um ocidental. Entretanto, mesmo depois do governo ter afrouxado a regra de um filho a cada casal, a taxa de natalidade despencou, sem sinais de se recuperar. Dessa forma, o país, tal como o Japão, acelerou o envelhecimento da população, o que pode trazer carência de mão de obra jovem e uma safra fraca de cientistas para conduzir a China na competição pela liderança mundial com os Estados Unidos. Envelhecimento e redução da natalidade são fenômenos resultantes do progresso social, com os casais planejando suas famílias cada vez menores para darem conta das despesas com saúde, educação e conforto na aposentadoria. Mas a China mostra que esse processo já está acelerado. A Organização das Nações Unidas (ONU), em 2019, projetou que a Índia ultrapassaria a China em população apenas no começo da próxima década, mas isso deverá ocorrer neste ano. O Brasil, com 207 milhões de habitantes (segundo uma prévia do Censo), desacelerou a natalidade, mas sem atingir o nível da China ou Japão de decréscimo nominal de habitantes. Porém, o Brasil, que nos anos 1980 ultrapassou o Japão, agora foi superado pelo Paquistão e está perto de ser alcançado pela Nigéria. Aliás, analistas esperam que o país africano vai passar, daqui algumas décadas, os Estados Unidos, Mas os norte-americanos poderão não sofrer queda populacional acentuada devido à imigração estimulada pela força de sua economia, cultura e ensino. Estagnação populacional desafoga serviços públicos, mas gera outras demandas, como atender as necessidades dos idosos e aumentar a produtividade dos jovens. Contudo, o progresso ainda está sustentado na expansão do consumo. A automatização e outras tecnologias podem trazer soluções, porém, o desafio está na fase de transição, com falta de receita para cuidar de fatias da sociedade e geração de emprego para trabalhadores de funções que ficarão obsoletas.