[[legacy_image_293571]] A queda do número de devedores na Baixada Santista de 15,35% no primeiro semestre na comparação com igual período do ano passado, segundo os cartórios de protestos, é um importante indicador para a recuperação da economia na região. Quanto mais consumidores saírem das estatísticas de endividamento, melhor será para as vendas do comércio e dos serviços. O número, levantado pelo Instituto de Estudos de Protestos de Títulos do Brasil - Seção São Paulo, coincide com alguns balanços de entidades especializadas em crédito. Segundo economistas, a melhora está relacionada à geração de empregos, que recuou de 13,7% há dois anos para 7,9%no trimestre encerrado em julho, conforme divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa é que esses dados melhorem em todo o território nacional com o programa Desenrola, que terá impacto definitivo neste semestre com o início de nova fase do programa no fim deste mês. Trata-se do público com renda até dois salários mínimos, que poderá renegociar suas dívidas com bancos, varejistas e empresas de luz, telefone e saneamento com descontos definidos em leilão, o que tende a garantir condições vantajosas. Entretanto, só o tempo mostrará como esses consumidores se comportarão no retorno às compras, de forma moderada ou repetindo erros que exigem uma profunda reeducação financeira, um assunto previsto pelo Desenrola, mas pouco mencionado até agora. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens Serviços e Turismo (CNC), mais de 70% das famílias têm dívidas, sendo que quase um quinto admite estar muito endividada. É uma situação que precisa ser corrigida para que a economia possa se servir da queda gradual da taxa Selic para crescer de forma sustentável. Isso porque uma parte do consumo depende intensivamente do crédito, no caso de produtos e serviços mais caros, como linha branca, automóveis, casa própria e viagens. Porém, se a maioria dos brasileiros continuar com seu orçamento estrangulado, de pouco adiantará os juros recuarem. Por isso, é importante que o aumento da oferta de emprego, principalmente com carteira assinada, e na outra ponta o Desenrola deem o empurram final que a retomada precisa. Entretanto, o País precisa de duas mudanças estruturais, sendo uma delas taxas de juros mais estáveis, o que depende da inflação. A Selic saltou de 2% ao ano para mais de 13% e só agora começou a recuaram. Essa disparada prejudicou empresas que já estavam endividadas, causando um surto de pedidos de recuperação judicial e falência. A outra mudança é a relação do brasileiro com financiamentos, sem observar se os juros estão elevados, buscando as tais parcelas que cabem no bolso. Também é preciso evitar o parcelamento excessivo de compras, inclusive as de pequeno valor. Antes de consumir, é preciso poupar para estar preparado para as adversidades da vida.