(Reprodução/X) Na última quinta-feira, um acordo entre oposição e governistas barrou a votação de requerimentos para investigar o Banco Master na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que apura os desvios dos benefícios dos aposentados e pensionistas. Com a decisão, desistiu-se de pedir quebra de sigilo do Master, do filho do ex-ministro Ricardo Lewandowski e de empresas de Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, e do ex-ministro da Previdência do Governo Bolsonaro, Onyx Lorenzoni. Também foi engavetada a solicitação de prisão de outro ex-ministro da Previdência da gestão Bolsonaro, José Carlos Oliveira. De forma prática, os parlamentares não desviaram o foco da CPMI, misturando os desvios do INSS com o escândalo do Master, mas o acordo serviu de termômetro para outros movimentos no Congresso para investigar o banco. No discurso, governistas e oposição dizem que querem apurar os tentáculos do Master sobre Brasília, mas nos bastidores suas lideranças agem no sentido contrário, ainda que existam quadros independentes nas duas frentes. Por enquanto há três iniciativas de CPIs exclusivas do Master. Duas delas, uma somente de deputados (por isso, CPI) e outra mista (CPMI, com deputados e senadores), já tiveram pedidos de abertura protocolados. Mas a instalação dessas comissões depende totalmente dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e do Senado, Davi Alcolumbre, (União-AP), que têm o poder de colocá-las ou não em votação. Já se sabe que as cúpulas não querem saber desse tema, com Motta afirmando que o requerimento terá que “entrar na fila” – há mais de dez na frente, indicando que a Câmara não investigará o Master por falta de tempo. Tudo indica que Alcolumbre vai fazer o mesmo. O pedido da CPMI foi feito pelo deputado bolsonarista Carlos Jordy (PL-RJ), enquanto o da CPI partiu do governista Rodrigo Rolemberg (PSB-DF). Jordy, que conseguiu a assinatura do senador petista Fabiano Contarato (ES), quer mirar o governo. Já Rolemberg, que diz que o requerimento da oposição quer mesmo é retaliar o Supremo Tribunal Federal, é adversário do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Ibaneis está sendo pressionado, inclusive por pedido de impeachment, pelo envolvimento do BRB no caso. O banco estatal do DF comprou títulos, segundo a PF, inexistentes do Master, uma operação de R\$ 12 bilhões, e tentou adquirir a instituição, que acabou sendo liquidada pelo Banco Central. Apesar do movimento do parlamentar do PSB, o governo, nos bastidores, não quer uma CPMI em pleno ano eleitoral. Apesar de uma CPI ser um instrumento político, inclusive para desgastar o adversário, os negócios do Master, com operações bilionárias com fundos e previdências estaduais, e a facilidade com que o banqueiro Daniel Vorcaro acessou os políticos em Brasília indicam a urgência de uma investigação aprofundada.