A Baixada Santista comemora, semana após semana, a sensível queda nos números da pandemia. No último boletim publicado por A Tribuna, quarta-feira, a média móvel dos últimos sete dias ficou em 11 mortes, o que representa um recuo de 15% em relação ao período anterior. A média móvel é um índice que vem sendo adotado pelos governos para avaliar, semana após semana, como se comporta a curva de óbitos diária. A Baixada Santista caiu de um pico de 26 mortes, na média, em 24 de junho para 11 na última semana. Em Santos, o quadro também se mostra relativamente confortável. Dados divulgados ontem pela Prefeitura indicavam que 30% dos leitos de internação, em hospitais públicos e privados, estavam ocupados, assim como 35% das vagas de UTI apenas para coronavírus. A Prefeitura também registrou um leve aumento do total de santistas internados em leitos hospitalares e UTI em 24 horas, passando de 86 para 105. Os dados, a paulatina abertura de atividades por parte do Governo do Estado e das prefeituras, a extensão de horários em outros setores que estavam restritos e o estresse provocado pelos meses de confinamento estão levando alguns à falsa ideia de que a pandemia do coronavírus é página virada na história da humanidade. As imagens que estampam a capa de A Tribuna de hoje e a página A-5 foram feitas no início da tarde de ontem, na orla de Santos, e evidenciam uma postura inadequada e contrária a tudo que se pregou até aqui: evitar aglomeração, distanciamento seguro, uso de máscaras. Muitas das pessoas que ali estavam são as mesmas que criticam as filas em supermercados, na porta dos bancos e em repartições públicas. Nas coletivas que têm sido feitas pelas autoridades, nem sempre é possível compreender a lógica nas medidas anunciadas, como a que libera vendedores ambulantes e música ao vivo em bares, e proíbe a prática esportiva na praia de algumas modalidades. Mas se é fato que nem sempre parece haver bom senso entre uma liberação e outra, também o é caminhar com multidões pela areia, sem máscara em muitos casos. Em geral, os munícipes da região têm sido bastante aderentes às medidas restritivas, e foi essa postura que levou a região a conquistar, em poucas semanas, o status de “amarela” no Plano São Paulo de combate ao coronavírus. A retomada das atividades econômicas é mais que bem-vinda: é necessária para que os estragos provocados pela quarentena possam ser dissipados com rapidez, porém, esse processo precisa vir acompanhado de consciência e espírito coletivo. Discute-se a volta às aulas presenciais, em outubro, e se é arriscada ou não, tendo em vista a cadeia de atividades que envolvem a vida escolar, mas aceita-se a formação de multidões como as de ontem. Onde está a lógica? Enquanto a vacina não chega, cautela, bom senso e responsabilidade coletiva são os únicos remédios.