( Imagem ilustrativa/Unsplash ) Em 11 de julho de 2008, com tensões na Nigéria, Paquistão e Irã, e disparada do consumo na China, o petróleo atingiu pico de US\$ 147,50. No fim daquele ano, os preços do setor já tinham naufragado para menos de US\$ 40. Agora, com a escalada dos conflitos no Oriente Médio, analistas afirmam que a cotação poderá bater em US\$ 100. Ontem, o tipo Brent fechou em US\$ 77, após subir 5%, com o presidente americano Joe Biden afirmando que Israel deveria bombardear a produção petrolífera iraniana ao invés de atacar unidades nucleares. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Porém, especialistas também estão intrigados, uma vez que a reação do mercado até agora não foi tão explosiva como de costume. Talvez uma ação militar devastadora finalmente empurre os preços para as alturas, com o Irã e seus aliados impedindo a navegação de petroleiros pela região. É precipitado considerar que essa moderação na reação da cotação do setor seja efeito do fim de uma era, com ascensão de fontes mais limpas. O que tem pesado é um excesso de oferta no mundo, ao mesmo tempo em que Estados Unidos, China, Europa e Japão, os grandes consumidores, estão com suas economias em desaceleração ou até em recessão. Exceto no caso de uma convulsão ampla e demorada no Oriente Médio, é possível que ocorra uma guerra de preços dentro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), com a cotação caindo para US\$ 50. Isso porque a Arábia Saudita, que busca um valor médio de US\$ 85 para sustentar sua política de diversificação da economia para tempos sem o óleo negro, está indignada com “traidores” do cartel que não cumpriram metas de redução de produção para forçar a alta da cotação. A queixa recai sobre Cazaquistão, Rússia e Iraque, que produziram mais do que suas cotas. A ameaça dos sauditas foi testada antes, com o litro despencando a US\$ 10 em 1986 e uma queda de 65% em 2020 em uma guerra de preços com a Rússia. Segundo o jornal Valor, o Brasil, que foi convidado a participar da Opep+ sem compromisso de seguir cortes, a Guiana e os EUA devem despejar 1 milhão de barris diários a mais no mundo, tornando mais difícil uma valorização sustentável da commodity. Uma queda de preço do petróleo é tudo que o Governo Lula espera, pois os combustíveis fósseis, com uma alta do barril, aquecem a inflação devido ao modal rodoviário, que dissemina aumento de custos em quase toda a economia brasileira. Por outro lado, a Petrobras é sacrificada se a cotação do produto cair, derrubando seu faturamento e o valor de suas reservas. Paralelamente, o protagonismo do Oriente Médio associado ao peso do petróleo indica que o mundo de fato ainda não investiu para valer em um migração econômica para energias limpas. Os custos de uma transição tão profunda acabam pesando mais do que o enfrentamento às mudanças climáticas, que têm produzido efeitos mais cedo e acentuados do que se previa.