As cidades da Baixada Santista têm investido em uma agenda variada, com festivais gastronômicos, eventos culturais e atividades esportivas como alternativas para atrair visitantes fora da alta temporada (Reprodução) Durante décadas, a Baixada Santista consolidou sua imagem turística associada ao sol, à praia e ao mar. Trata-se de um patrimônio valioso e insubstituível. Mas limitar a região a essa vocação é ignorar um potencial muito maior, capaz de gerar emprego, renda e desenvolvimento durante o ano todo. Os exemplos não faltam e o inverno que se aproxima demonstra isso. Santos aposta em eventos já consagrados, como Festa Inverno e Festival Santos Café, fortalecendo a conexão entre Centro Histórico, Museu do Café e Museu Pelé. São Vicente investe na gastronomia, no turismo de natureza, nas trilhas, no voo livre e na observação de aves. Praia Grande, Guarujá, Bertioga, Peruíbe e Mongaguá também apresentam calendários próprios, repletos de festivais gastronômicos, manifestações culturais, eventos esportivos e atrações ligadas às tradições caiçaras. A diversidade regional é uma força que precisa ser explorada de forma estratégica. Poucas regiões brasileiras concentram, em um espaço tão reduzido, atributos tão distintos. Há patrimônio histórico, cultura, gastronomia, esportes náuticos, turismo religioso, ecoturismo, observação da fauna, cultura japonesa, legado do café, memória do futebol, parques estaduais, comunidades tradicionais e uma extensa agenda de eventos. Tudo isso complementado pela proximidade com a maior metrópole do País, com infraestrutura turística já consolidada. Foi essa reflexão que norteou os debates do fórum A Região em Pauta, recentemente promovido pelo Grupo Tribuna e dedicado ao turismo. O desafio da Baixada Santista não está na falta de atrativos, e sim na gestão desses ativos. Cada município desenvolve iniciativas importantes, mas a percepção do visitante não se limita às fronteiras administrativas. Quem chega à região circula entre cidades, visita diferentes equipamentos e consome experiências complementares. Pensar o turismo de forma isolada não faz sentido. A construção de um calendário regional integrado, capaz de organizar grandes eventos ao longo do ano, evitar sobreposições e ampliar a permanência dos visitantes, é uma necessidade urgente. Da mesma forma, torna-se fundamental manter ações permanentes de divulgação em mercados emissores, especialmente na Capital, no Interior e em outros estados. O turismo não pode ser promovido apenas às vésperas da temporada. Nesse contexto, ganha força a proposta apresentada no fórum, para criação de uma Instância de Governança Regional independente, formada pelos municípios, iniciativa privada e sociedade civil. Um consórcio com autonomia técnica, planejamento de longo prazo e capacidade de captar recursos, promover pesquisas, qualificar profissionais e executar campanhas de marketing regional, transformando a Baixada Santista em uma marca turística reconhecida nacionalmente. Uma região capaz de atrair visitantes não apenas no verão, mas durante todo o ano. Os atrativos já existem e estão consolidados, o que falta é unir forças para que as outras regiões e o País os conheçam.