(Antonio Cruz/Agência Brasil) Faltam menos de quatro meses para as eleições de outubro e, mais uma vez, a disputa pelo Palácio do Planalto domina o noticiário nacional. Pesquisas recentes apontam um cenário competitivo, enquanto fatos políticos ganham espaço e influenciam a percepção do eleitor. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nas últimas semanas, vieram à tona denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central das investigações sobre o Banco Master. Agora, o mesmo caso alcança o campo governista com a inclusão do senador Jaques Wagner (PT-BA) em apurações relacionadas ao banqueiro. Ambos negam irregularidades, mas os episódios reforçam uma constatação importante: suspeitas e questionamentos não têm lado político definido e exigem o mesmo grau de atenção por parte da sociedade. O debate presidencial é fundamental, mas não pode monopolizar o interesse do eleitor. Tão importante quanto escolher o próximo presidente é definir quem ocupará as cadeiras das assembleias legislativas e da Câmara dos Deputados. Muitas vezes, a atenção dedicada aos candidatos ao Executivo não se repete na escolha dos parlamentares, embora sejam eles os responsáveis por decisões que afetam diretamente a vida da população. Deputados estaduais fiscalizam governadores, aprovam orçamentos bilionários e influenciam políticas públicas em áreas essenciais, como saúde, educação, segurança e infraestrutura. Já os deputados federais elaboram leis, votam reformas, fiscalizam o governo federal e participam da definição do orçamento da União. Nos últimos anos, o poder desses parlamentares cresceu consideravelmente com a ampliação das emendas ao orçamento. Hoje, eles controlam volumes expressivos de recursos públicos e exercem influência decisiva sobre a execução de obras, programas e investimentos. Em muitos casos, a governabilidade de presidentes e governadores depende diretamente das articulações realizadas no Legislativo. Por isso, o eleitor precisa olhar além das campanhas majoritárias. O horário eleitoral gratuito e a propaganda nas redes sociais raramente são suficientes para avaliar a capacidade, a experiência e o compromisso dos candidatos que disputam o voto. É necessário pesquisar o histórico político daqueles que já exercem mandato, analisar suas votações, propostas e resultados. Da mesma forma, quem busca uma vaga pela primeira vez também deve ser avaliado por sua trajetória profissional, atuação pública e coerência entre discurso e prática. A democracia não se resume à escolha de um presidente. Ela depende da qualidade dos representantes eleitos para legislar, fiscalizar e administrar recursos públicos. Em outubro, o voto consciente exigirá atenção não apenas aos nomes que lideram as pesquisas, mas também àqueles que terão papel decisivo na construção dos rumos do País nos próximos quatro anos.