A cinco dias da eleição, a disputa acirrada entre os dois principais candidatos a presidente teve todo o tipo de surpresas, mas o que menos se viu foi a discussão de propostas para o País. Investigações sobre os desvios de recursos dos aposentados e o escândalo do Banco Master, incluindo o abalo histórico do Supremo Tribunal Federal (STF), ofuscaram o importante confronto de ideias entre os adversários, a ponto dos tradicionais debates ainda não terem ocorrido. INSS, Master e STF são fatos que interferem na decisão do eleitor, com toda a razão, e que precisam ser investigados sem qualquer tipo de adiamento. Entretanto, a comparação dos planos de governo é fundamental para decidir qual nome é o melhor ao País. Além disso, a polarização, que poderia ser uma forma de opor as ideias, na verdade, busca a destruição do adversário sem verificar a fundo as diferenças. Ataques e denúncias, desde que não sejam baseados em informações falsas, são parte do processo eleitoral, e mesmo os golpes baixos, uma realidade desde os primórdios das eleições, são previsíveis. Contudo, a campanha eleitoral não pode ser guiada somente por esses caminhos. É necessário que os candidatos, principalmente os presidenciais, revelem claramente o que pretendem realizar em seus governos, até como compromisso e para que possam ser cobrados pelos eleitores e a imprensa. Sabe-se quais são os pontos essenciais e as posições ideológicas que permeiam as candidaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), com base nas realizações em seus mandatos e nos pronunciamentos ao longo dos anos. Porém, não se conhece a fundo o que defendem para a educação, além de falarem que planejam melhorar sua qualidade. É preciso se inteirar sobre medidas pontuais, por exemplo, para conectar o ensino às novas ferramentas da tecnologia e torná-lo atualizado perante às necessidades das atuais gerações. O mesmo vale para a saúde. O que realmente pretendem realizar frente ao envelhecimento da população e às doenças, que nessa realidade, se transformam em prioridade? Não basta dizer somente que determinada pauta receberá atenção redobrada – é fundamental explicar nas entrelinhas como isso será feito e, mais ainda, de onde vai sair o dinheiro se já há carência de recursos e carga tributária no limite que a sociedade pode pagar. Questionadas pela imprensa sobre propostas, as coordenações das campanhas costumam até divulgar textos extensos. Contudo, isso precisa ser verbalizado pelos candidatos. Entrevistas ao vivo ajudam a sanar as dúvidas, mas se percebe nas redes sociais uma irritação das respectivas torcidas contra os jornalistas pelo mínimo que se espera deles, que é questionar o candidato. Hoje, os meios digitais dão incríveis possibilidades ao leitor para conhecer os candidatos e comparar suas propostas com o que já realizaram ou afirmaram no passado. Porém, essas ferramentas não são aproveitadas como se espera.