[[legacy_image_75518]] Os avanços da tecnologia geram um conforto indiscutível aos cidadãos e muita eficiência às empresas. Por outro lado, é importante ressaltar que a necessidade por mão de obra será progressivamente reduzida e as novas carreiras que estão sendo criadas e outras tantas que surgiram não devem dar conta da demanda das próximas gerações por trabalho. Deve-se considerar ainda que o aumento da expectativa de vida e melhora da saúde por meio da revolução da Medicina, também associada à inovação tecnológica, darão condições para milhares de trabalhadores disputarem vagas no mercado em idades hoje consideradas avançadas. Por isso, os gestores públicos precisam começar a pensar nesse contexto trabalhista do futuro, não muito distante, que terá um impacto social tremendo. Pelo menos, já há análises de pesquisadores da área com importantes alertas e executivos dos vários setores da economia atentos a essas mudanças. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Como há muita imprevisibilidade sobre o que vai mudar no mercado de trabalho, a certeza do impacto das tecnologias obriga uma mudança profunda no ensino desde já, com mais preparo no domínio das ferramentas. As escolas precisam saciar a necessidade de conhecimento dos mais jovens, que na prática hoje usam o celular como se fosse um cérebro extra. Por isso, os processos de aprendizagem têm que ser modernizados e focarem as novas realidades do mercado de trabalho, sem abandonar as humanidades e as noções de cidadania e proteção ambiental. Os exemplos de mudança podem ser observados no Porto de Santos, com operações cada vez menos braçais, demandando um trabalhador com conhecimento de novas tecnologias e redução da necessidade de mão de obra, como foi apontado pelo webinar Trabalho Portuário: Passado, Presente e Futuro, do Grupo Tribuna e Ruy de Mello Miller (RMM) Advocacia na quinta-feira. Assim como em outros setores da economia, no portuário uma sequência de atividades, como carregamento e descarregamento de navio antes com muitas pessoas, passou a ser feita com computadores e aplicativos. Funções de estivadores, conferentes e vigias são impactadas, mas que tenham a possibilidade de conseguirem emprego no próprio Porto, ainda que em atividades fora da movimentação de cargas, como defendeu o procurador do Trabalho do MP da União, Augusto Griecco Sant’Anna Meirinho. O caso dos caminhões da Vale em Carajás (PA) também ajuda a entender os novos tempos. Nos próximos meses, a mineradora começa a operar de forma definitiva dez caminhões autônomos – sem operador na cabine. Em 2024, essa frota será quintuplicada. Portanto, muitas das mudanças estão prontas para acontecer e não se fala de um futuro muito demorado. Além da reformulação do ensino desde a base, o que se conclui é que os atuais trabalhadores terão que, em massa, aprender novas habilidades e ferramentas.