A derrota do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, uma das principais lideranças da ultradireita mundial, era esperada, mas o resultado veio avassalador, conferindo maioria parlamentar ao vencedor Péter Magyar. Na apuração com quase 99% dos votos, o partido Tisza, de Magyar, leva 138 das 199 cadeiras, 69% do total, contra as 55 do Fidesz, de Orbán. Espera-se que o país passe por importantes mudanças, que serão acompanhadas internacionalmente devido à projeção que Orbán teve. Sua queda influencia as estratégias eleitorais não apenas de partidos radicais, mas também de centro e de esquerda, inclusive no Brasil. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Com esses números, Magyar poderá desmanchar as mudanças estruturais feitas pelo atual premiê, que, segundo analistas, durante 16 anos de governo se tornou um autocrata, influenciando o Judiciário, controlando a imprensa e isolando movimentos opositores, além de retirar direitos LGTBQIA+. Como o atual governo húngaro bloqueou muitas decisões da União Europeia, principalmente as que apoiam a Ucrânia, o resultado das eleições foi festejado pelo comando do bloco. Apoiadores de Orbán acusaram a esquerda de uma grande aliança para derrubar o premiê, mas Magyar é um centro-direitista e ex-integrante do Fidesz, o que deverá manter o conservadorismo como base das decisões. Por exemplo, ele prometeu medidas mais duras na imigração, até mais que Orbán. A importância política de Orbán pode ser notada pela série de apoios que teve, inclusive de quem se opõe na geopolítica, como os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, da Rússia, Vladimir Putin, e do chinês Xi Jinping, que concentrou na Hungria os investimentos destinados à Europa. Ele também inspirou a ultradireita em toda a Europa, nos EUA e no Brasil, com a família Bolsonaro. Para especialistas, a queda de Orbán foi provocada pela crise econômica e por consequência de sérias crises políticas. Em 2024, a ex-esposa de Magyar, a ministra da Justiça, Judit Varga, renunciou no escândalo de abusos sexuais num abrigo para crianças, que o governo foi acusado de encobrir. Magyar rompeu com Orbán e denunciou corrupção sistêmica e domínio do país por uma elite econômica, tornando-se um líder nacional. Após fundar o Partido Tisza, sigla de Respeito e Liberdade em húngaro, passou a abordar inflação, saúde e salários, questões cotidianas que geravam insatisfação popular, o que atraiu eleitores da oposição fragmentada derrotada por Orbán. Mas também agiu como um oportunista, não adotando posições fechadas em temas polêmicos, como direitos LGBTQIA+. Magyar disse buscar restabelecer a democracia, combater a corrupção e fazer a economia crescer, promessas que serão cobradas rigorosamente. Assim como a esquerda e centristas, os erros de Orbán em sua gestão e na campanha também serão estudados pela ultradireita mundial, ressaltando que o próprio Orbán se manterá como um líder para seus apoiadores.