(Alexsander Ferraz/AT) A cidade de Cubatão receberá, na próxima semana, o selo internacional Cidade Verde do Mundo, concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU) àquelas que se destacam por adotar práticas eficazes de manejo de florestas naturais e urbanas, valorizando o papel das árvores na qualidade de vida de seus moradores. Cubatão está ao lado de outras 33 cidades merecedoras desse selo. A cerimônia está marcada para ocorrer em um local simbólico da Cidade. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Há 40 anos, seria difícil projetar que um dia o cenário de Cubatão permitiria alcançar tamanho status. Nas décadas de 1970 e 1980, a cidade enfrentou uma grave crise ambiental. Conhecida como o Vale da Morte, ela recebeu o título de uma das mais poluídas do mundo devido à intensa atividade industrial e à ausência de políticas ambientais eficazes. Com dezenas de indústrias químicas, petroquímicas e siderúrgicas concentradas em uma área pequena, os níveis de poluição do ar, da água e do solo atingiram proporções alarmantes. A população sofria com problemas de saúde, como doenças respiratórias e má-formações congênitas, e o ecossistema local estava gravemente comprometido, com episódios de chuva ácida e destruição da vegetação. A reversão desse cenário começou a partir da pressão da sociedade civil, da imprensa e de órgãos ambientais, levando à criação de políticas públicas voltadas à recuperação ambiental. O ponto de virada foi a implementação do Programa de Controle da Poluição do Ar (PCPA), coordenado pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), que obrigou as indústrias a adotarem tecnologias mais limpas e sistemas de controle de emissões. Além disso, houve investimentos em saneamento básico, monitoramento ambiental contínuo e recuperação de áreas degradadas. Como resultado, Cubatão conseguiu reduzir drasticamente seus índices de poluição, tornando-se um exemplo internacional de recuperação ambiental urbana. Hoje, embora ainda enfrente desafios, a cidade é símbolo de superação em questões ambientais e serve de referência para outras regiões industrializadas do mundo. Serve de exemplo, também, para provar que hoje, embora os desafios sejam outros e atinjam todo o planeta, é possível pensar em políticas públicas e ações coletivas que mitiguem os impactos da grave crise climática pela qual passa toda a humanidade. Fazer a atmosfera e os oceanos retrocederem ao que eram há 50 anos não será possível, mas implantar programas contínuos de mitigação, que reduzam o sofrimento principalmente dos mais vulnerabilizados, pode e deve ser feito. A Ciência vem provando e dando visibilidade a soluções adotadas pontualmente em cidades e regiões para equacionar problemas comuns, como ressacas, cheia dos rios, emissão de gases de efeito estufa e reuso da água, por exemplo. Então, que o selo a ser concedido a Cubatão seja também o símbolo de que, quando se tem um propósito comum, é possível alcançá-lo em benefício de todos.