A questão das mudanças climáticas, objeto de recente cúpula realizada em Nova York, foi também abordada no discurso do secretário-geral da ONU, António Guterres, na sessão de abertura da Assembleia Geral da entidade no último dia 24. Repetindo o que já havia dito na Cúpula de Ação do Clima, ele enfatizou que a emergência climática é corrida que estamos perdendo, mas ela poderá ser ganha se mudarmos agora os nossos hábitos. Para ele, até a nossa língua tem que se adaptar: não se trata mais de mudança climática, e sim de crise climática. E acrescentou que o mundo começa a se mover - não rápido o suficiente, mas na direção correta - para longe dos combustíveis fósseis e ao encontro de oportunidades na economia verde. O enfrentamento do problema do aquecimento global, que aflige hoje todo o mundo, exige decisão política, com efetivo envolvimento das nações, notadamente as mais ricas e desenvolvidas, e financiamento a ações em escala global. Mas exige, principalmente, como destacou o secretário-geral da ONU, mudança nos hábitos da população. Em julho de 2018 foi lançado pelo Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA), com sede na Áustria, documento que aborda as transformações necessárias para que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), lançados em 2015, sejam alcançados. A mensagem principal é que o cumprimento dos dezessete ODS dependerá da velocidade de seis profundas mudanças em várias áreas. São elas: melhorar a educação e a assistência à saúde, para permitir que as pessoas tenham vidas autodeterminadas, encontrem trabalho decente e gerem renda, acabando com a pobreza em todas as suas formas e reduzindo as desigualdades; evoluir para que o consumo e a produção sejam mais responsáveis; descarbonizar o sistema de energia, fornecendo energia limpa e acessível a todos; garantir acesso a alimentos nutritivos e água potável para todos, atendendo às necessidades da população mundial ainda crescente e, ao mesmo tempo, limitar os aspectos ambientais; transformar as cidades, dotando-as de alta conectividade, infraestrutura inteligente e serviços de elevada qualidade com baixa pegada ambiental; e garantir a sustentabilidade do desenvolvimento, fazendo com que a ciência, a tecnologia e as inovações sejam canalizadas para essa finalidade. Regulamentações e mecanismos, como a taxação do carbono, serão necessários. Mas é preciso enfatizar a consciência dos cidadãos do mundo: nessa transição há a necessidade de mudar posturas e atitudes, que envolvem os padrões de vida atual, os níveis de consumo, os alimentos que são produzidos e comprados pelas pessoas, formas de mobilidade e deslocamento. Sem isso, a mudança climática avançará e os riscos serão cada vez maiores, ameaçando o futuro do planeta e a sobrevivência da humanidade.